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Itália: novos brasileiros com passaportes falsos

27/09/2000

 

 

Parece não ter mais fim o escândalo que envolve jogadores brasileiros e a máfia portuguesa que vem fornecendo passaportes falsos para garantir a entrada de estrangeiros no futebol europeu, na condição de "comunitários".

   Ontem, foi a vez de o Vicenza - time da Segunda Divisão italiana - pedir à Liga de Clubes Profissionais do país para desclassificar a dupla Jeda e Dedé da lista de "comunitários". A polícia da cidade concluiu que a documentação dos atletas, que no Brasil jogavam no Campinas, time do ex-atacante Careca, também é irregular.

   Jeda tem chances de permanecer na equipe, mas agora como estrangeiro. No caso de Dedé, o provável é que ele retorne ao Brasil para defender novamente o Campinas. Segundo o diretor Rinaldo Sagramola, "não é intenção do clube fazer qualquer discriminação entre os dois brasileiros, mas como já possui quatro atletas da Comunidade Européia e o limite é cinco, um deles tinha de sair".

   Jeda e Dedé, de acordo com informações da Embaixada de Portugal na Itália, estavam utilizando passaportes pertencentes a um lote roubado e, posteriormente, falsificados. O mesmo aconteceu com Warley, Alberto e Jorginho, que atuavam na Udinese. Os dois primeiros são empresariados pelo uruguaio Juan Figer - agente Fifa e que atua no Brasil há mais de 30 anos - e foram os primeiros descobertos.

   Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Varsóvia, para disputar uma partida contra o time local, pela Uefa, Warley e Alberto tiveram seus documentos retidos pela polícia aduaneira sob suspeita de falsificação.

   Dias depois, a direção da Udinese decidiu enviar à polícia de Udine a papelada de todos os seus estrangeiros. Aí confirmou-se a suspeita e, também, descobriu-se a mesma irregularidade no passaporte de Jorginho, ex-Palmeiras e que deve retornar ao País para jogar no Vasco. O paraguaio Alejandro Da Silva foi flagrado na mesma condição.

   Enquanto as autoridades italianas se espantam com a ação da máfia portuguesa e intensificam as investigações, no Brasil acontece o contrário. Em São Paulo, a Polícia Federal informa que nada pode fazer porque o documento não foi usado em território nacional.

Aqui, nenhuma atitude

   No Consulado Italiano em São Paulo, nenhuma ação. O máximo de envolvimento até agora é dar andamento ao pedido de visto temporário de trabalho feito pelo lateral Alberto. "É o que nos cabe executar", disse o chanceler Tierpaolo Savio. Para ele, os incidentes não devem interferir no relacionamento diplomático entre os dois países, mas vai causar constrangimentos para os brasileiros na Itália. "Eles vão ser vistos com outros olhos. Afinal, estavam usando documento falso", afirmou.

   Na mesma linha, o empresário Juan Figer garante não ter ligação com os episódios, inclusive os que envolveram Warley e Alberto. Na hora de explicar a difícil equação - ser contratado para cuidar da vida burocrática do atleta e não tratar da feitura de seu passaporte estrangeiro -, Figer declara que não participou e não tem conhecimento do processo. Recentemente, ele também não soube esclarecer a origem da documentação do corintiano Edu, considerada falsa pelos ingleses e que impediu sua transferência para o Arsenal. (Crislaine Neves, JT)


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