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Tesouro de mafioso vai a leilão na Itália

10/09/2001

 
 


ARAUJO NETTO

   ROMA - A próxima semana será uma semana gorda para o Fundo para as Vítimas da Máfia, instituído por uma lei do parlamento italiano há mais de cinco anos. O leilão de uma pequena parte do tesouro de Salvatore Totó Riina, chefe dos chefes da Cosa Nostra que desde 1993 se encontra na prisão de máxima segurança da cidade de Ascoli Pisceno, faz prever que o Fundo será reforçado pelos US$ 800 mil (talvez até US$ 1 milhão) que devem ser arrecadados pelas vendas das 206 peças de um primeiro lote do tesouro encontrado pelos policiais que capturaram o pequeno-grande homem nascido em Corleone que por quase 30 anos foi o líder político, o estrategista das operações militares e o juiz que decidia sobre a vida e a morte, a fortuna e a desgraça de todas as famílias mafiosas sicilianas.

   Riina é um homem de baixa estatura (1,60 metro), voz fina e anasalada, mas capaz de ordenar ou executar com suas próprias mãos as maiores atrocidades. Não por acaso conhecido e tratado por outros mafiosos como la belva (a fera), e identificado, processado e condenado pela Justiça como o mandante de 150 homicídios, muitos deles praticados contra ex-companheiros e sócios, nas várias guerras e chacinas que planejou e fez deflagrar contra mafiosos que ousaram questionar seus métodos de comando.

   Do lote de 206 objetos apreendidos pela polícia no porão da casa em que Riina foi localizado e finalmente preso, em 15 de janeiro de 1993, - depois de 24 anos de clandestinidade vividos tranqüilamente em Palermo, onde pôde estar presente aos nascimentos de três filhos num dos melhores hospitais privados da cidade - fazem parte 32 lingotes de ouro pesando 34 quilos, pulseiras, colares, diamantes e objetos de ouro branco, um relógio Cartier de ouro, com mostrador e pulseira cravejados de brilhantes, outro relógio - Vacheron Costantin - avaliado em pelo menos US$ 100 mil, uma coleção de 115 moedas estrangeiras (principalmente libras esterlinas de ouro, dólares americanos e pesos chilenos de prata).

   Coleção - Entre as peças que serão leiloadas na próxima semana, figuram também uma coleção de medalhas e miniaturas de imagens religiosas, usadas e distribuídas como suvenires pelos amigos que assistiram aos nascimentos e batizados dos três filhos que teve com sua mulher, Ninetta Bagarella, irmã de Leoluca Bagarella, outro chefão da Cosa Nostra que chegou a ser o vice de Totó Riina. Um mafioso que os criminologistas italianos e americanos afirmam ser o mais importante do mundo depois do Al Capone da Chicago dos anos 30.

   Por prudência, com receio de possíveis represálias de mafiosos que continuam fiéis e obedientes ao seu comando, as autoridades do Ministério da Justiça que organizaram o leilão desse primeiro lote do tesouro de Riina tomaram duas decisões importantes: realizá-lo fora e longe da Sicilia; e sem divulgar que os objetos e valores que serão leiloados pertenceram ao ex-chefe dos chefes da Cosa Nostra.

   Na quinta-feira, Riina não pôde assistir ao casamento de sua filha mais velha (e mais querida) Maria Concetta com o ex-disc-jóquei e tocador de trombone Tonino Ciavarelo, que desde ontem passou a ser tratado e respeitado como um novo empresário agrícola de Corleone - onde se realizou o casamento. Riina não obteve a permissão para deixar a cela de isolamento em que se encontra, no cárcere de Ascoli Pisceno, para presenciar a cerimônia. (© Jornal do Brasil)

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