Um dos fã-clubes mais organizados do mundo,
os admiradores brasileiros da baixinha italiana fazem crescer seu público com intensa
programação Muito
além de Rita Lee ou Lovely Rita, de Lennon & McCartney, a sardenta Rita Pavone reina
sozinha no fã-clube brasileiro, considerado pelos similares da Itália, Suíça e outros
países como dos mais completos.
Longe do Brasil desde 87, quando fez sua última
turnê, sem lançar discos há uma década, Rita não toca em rádio, seus CDs não são
fáceis de encontrar nem tem clipes na tevê brasileira. É o fã-clube que garante a
conquista de jovens admiradores.
"Um garoto de 21 anos, do interior, ouviu Datemi
un Martello um dia desses e agora está buscando tudo o que existe da Rita", conta
satisfeito o engenheiro civil Fábio Miranda que fundou o fã-clube em 66, quando morava
em São Carlos, depois da segunda apresentação de Rita no Brasil.
Rita na rede - O nome da entidade, hoje, é Rita
Pavone International Fans Club, com site próprio em português, inglês e italiano, com
links para os fã-clubes internacionais.
"Nosso contato, hoje, com os fãs é
principalmente virtual. Mas não abrimos mão de encontros periódicos", diz Fábio.
A última reunião nacional foi no ano passado, em
agosto, para comememorar os 55 anos de Rita. A fã-clube produziu sacolas para discos,
camisetas, fotos e ofereceu para os associados. Durante o fim de semana, vídeos raros
foram exibidos em um telão. E a voz potente de Rita tomou conta do salão de festas do
edifício onde Fábio reside.
No sábado passado, alguns dos membros voltaram a se
encontrar em São Paulo. Um dos assuntos principais foi o filme argentino Nove Rainhas, em
cartaz no Unibanco Arteplex, onde um sucesso de Rita dos anos 60, Il Ballo del Mattone, é
uma das charadas. Todos adoraram.
Foto na capa - O executivo de marketing do Banco Itaú,
Maurício Ignácio, é outro membro ativo do fã-clube. Entre outros feitos, ele
fotografou o show de Rita no Palace, em 87, e mandou-lhe as fotos de presente. Ela gostou
tanto que usou uma delas na capa do CD ao vivo Rita is Magic. "Para mim foi uma
surpresa. É ótimo ter meu nome ligado a um trabalho dela", diz Ignácio.
Rita esteve cinco vezes no Brasil. Fez shows em 64, 65,
70, 87 e veio em 68 em viagem de lua-de-mel com o cantor Teddy Reno, 20 anos mais velho,
com quem está casada até hoje. O fã-clube foi, praticamente, o responsável pela sua
última vinda ao Brasil. Fábio negociou a turnê com shows em São Paulo e Rio com a
própria Rita, em três viagens. "Ela veio porque sempre gostou do Brasil. Cobrou
menos do que o preço normal de suas apresentações na Europa", diz Miranda.
Caçada nos sebos - Além de Fábio Miranda e
Maurício Ignácio, a professora Marta Mendes e Dóris Castro, dona-de-casa, são também
sócias ativas. Passam horas livres em sebos, buscando discos antigos ou assistindo a
teipes de programas de televisão da década de 60, onde Rita contracenava com outros
cantores como Mina, Ornella Vanoni, Gianni Morandi ou artistas como Marcello Mastroianni e
Walter Chiari. Dóris já foi responsável por um fanzine de Rita distribuído aos fãs e
interessados. O fã-clube tem ainda no seu acervo os filmes de Rita nos anos 60, como
Rita, o Mosquito e Não Brinque com o Mosquito, de Lina Wertmüller.
Doris e Marta conheceram Fábio em um sebo, o Eric
Discos, buscando discos antigos de Rita Pavone. Como quase todo mundo no fã-clube
brasileiro, aprenderam a falar um pouco de italiano para entender as letras das músicas.
Fábio expressa-se com facilidade e, no Brasil, já foi intérprete de Rita em entrevistas
e programas de televisão.
A categoria das baixinhas - "Gostar de Rita
é saber apreciar uma boa música, um show bem feito. Ela é herdeira perfeita das
baixinhas de voz forte como Edith Piaf, Judy Garland e Elis Regina", comenta Miranda.
Em 70, no Canecão, no Rio, foi Elis Regina quem levou Rita pela mão até o palco.
Fábio Miranda corresponde-se regularmente com Rita.
Há quatro anos esteve com ela, em Oviedo, na Espanha, onde Rita reuniu milhares de
pessoas sob a chuva, no aniversário da cidade. "Ela sempre me trata muito bem. Já
fui visitá-la na Suíça", recorda.
No momento, uma das bandeiras de Fábio e Maurício é
convencer a gravadora BMG Ariola a colocar mais discos de Rita no mercado. "Falamos
sempre com a Adriana Ramos, produtora internacional, dando sugestões", diz Ignácio.
Foi o fã-clube quem elaborou o repertório do CD Ricordi, uma coletânea lançada no
Brasil.
Show no Brasil, por enquanto, é um sonho distante.
Fábio Miranda é cético. "Ao contrário de cantores como Pepino di Capri ou Nico
Fidenco, o cachê da Rita é alto". (Castilho de Andrade - © Jornal do Brasil)
Conheça o site do fã clube brasileiro
da Rita Pavone
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