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Arqueólogos revelam segredo de galera afundada em Veneza

12/09/2001

 
 


   VENEZA, Itália (Reuters) - Naufragadas para impedir uma ilha de afundar, e depois transformadas em tumbas para vítimas de epidemias, duas embarcações da Idade Média voltam à tona pela primeira vez em 700 anos.

   Dois arqueólogos marinhos trabalham para descortinar os tesouros enterrados nas águas lamacentas da lagoa de Veneza (Itália), descobertos há cinco anos por um deles, o italiano Marco d'Agostino.

   Uma galera do século 14 e um barco veneziano medieval serão trazidos à tona após terem sido afundados na metade dos anos 1.300, uma vez que alguns litros de água salgada sejam drenados de dentro deles.

   A descoberta, segundo d'Agostino e seu parceiro Stefano Medas, pode ser a mais importante a ser feita na região.

   "Esta é a primeira galera encontrada em qualquer lugar do Mediterrâneo", afirmou d'Agostino, enquanto trabalhava em cima de uma balsa estacionada no meio da lagoa.

   "Houve poucas descobertas como essa em outras partes do mundo, em especial se levarmos em conta a idade dos achados", disse o cientista à Reuters durante uma visita ao local da escavação, na ilha afundada de Boccalama.

   Os dois barcos possuem importância arqueológica, mas a galera, de 38 metros de comprimentos e capaz de transportar 250 homens, atrai uma atenção especial.

   No início de sua história, Veneza era a maior de várias ilhas-estado, lutando contra piratas e invasores vindos do Leste e da Espanha, derrotando-os com suas habilidades navais.

   A galera de cinco metros de largura dominou aquelas águas do início do século 14 ao século 16.

   O içamento das embarcações, porém, não revela de imediato como elas foram parar no meio das águas de Veneza e como se encontram tão bem preservadas.

   No início do século 14, a ilha de Boccalama, no sudoeste da lagoa, abrigava o monastério de San Marco. Mas o retiro dos monges não oferecia muita segurança. A ilha afundava rapidamente nas águas lamacentas da lagoa.

   Para deter o processo, a galera e o barco de transporte foram carregados com areia, naufragados e depois escorados com madeira para servir como proteção para os bancos da ilha.

   A solução funcionou, por algum tempo. Em 1348, quando uma grande epidemia atingiu Veneza, o monastério foi abandonando e a ilha, usada como depositário dos corpos das vítimas da praga. Anos depois, Boccalama acabou afundando e levando consigo seus segredos. (© ZIP Notícias)

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