|
Reuters
MILÃO - Foi anunciado que a investigação sobre as acusações de
que ex-representantes do Ministério da Saúde da Itália permitiram o uso de derivados de
sangue contaminado com HIV, apesar da disponibilidade de testes para detectar o vírus,
será reaberta em novembro.
A investigação da Procuradoria de Trento, foi interrompida por questões
técnicas em dezembro de 2000, depois que os resultados de um inquérito promovido por
promotores públicos, em 1994, levou ao indiciamento de 27 pessoas.
Cerca de 3.500 dos 5 mil hemofílicos italianos foram infectados por HIV
ou hepatite presentes em derivados de sangue contaminado, informou a Associação Italiana
de Hemofílicos. Os hemofílicos precisam usar fatores de coagulação sanguínea
diariamente.
Na semana passada, o Ministério da Justiça anunciou que uma
indenização de 941 milhões dólares seria dada a alguns hemofílicos que contraíram o
vírus ou a suas famílias. O Ministério da Economia e Finanças foi solicitado a liberar
um adicional de 5,6 milhões de dólares para indenização.
A recompensa é uma decisão da Corte Européia de Direitos Humanos, em
Estrasburgo, sobre a reclamação de um grupo de 211 pessoas afetadas direta ou
indiretamente pela contaminação do sangue.
A sentença é posterior a uma decisão italiana de 1992, que determinou
que pessoas infectadas por transfusões de sangue contaminado receberiam indenizações de
70 mil dólares do Ministério da Saúde. Algumas apresentaram uma reclamação alegando
que o dinheiro era insuficiente, e a Corte Européia resolveu o caso com essa decisão.
A última sentença foi considerada insatisfatória pela Associação
Italiana de Politransfundidos, grupo que representa pessoas que precisam de múltiplas
transfusões.
"Não estamos satisfeitos com a decisão do Ministério da Justiça.
Os pagamentos cobrem apenas alguns hemofílicos que moveram processos, já que o resto do
dinheiro ainda não foi designado", disse Angelo Magrini, presidente da Associação
Italiana de Politransfundidos, à Reuters Health.
"Mesmo que a sentença se refira somente a hemofílicos infectados
pelas transfusões de sangue, há outros grupos de pessoas esperando o reembolso do
governo italiano", disse o ativista.
A associação quer que o governo estabeleça um "fundo
solidário"para oferecer indenizações a pessoas que receberem transfusões com
sangue contaminado. Para a entidade, as empresas farmacêuticas que lucram com derivados
de sangue deveriam contribuir para este fundo. (© BOL Notícias) |