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Itália vive onda de passaportes falsos

07/10/2000

 

 

ROMA. Tudo começou com o argentino Verón, da Lazio, mas a onda dos passaportes falsos está aumentando cada vez mais na Itália. O escândalo envolve jogadores brasileiros e duvidosos documentos portugueses. Depois do caso de Warley, Alberto e Jorginho, do Udinese, na última quarta-feira Dedé e Jeda do Vicenza receberam mandato de expulsão do território italiano por falsificação de passaporte. Agora, é a vez de Dida estar sob suspeita. Para evitar problemas, os procuradores e os clubes de Dida (Milan) e Marcos Assunção (Roma) preferiram verificar a validade dos passaportes de seus jogadores antes de apresentá-los na Federação.

  A investigação sobre Verón partiu da Procuradoria da República sobre um passaporte argentino que se fez passar por italiano graças a um parente, Giuseppe Portella, tataravô da mãe. O objetivo: não passar do limite de cinco jogadores não-europeus.

  Além da Itália, Portugal é considerado um dos países-chaves no esquema de passaportes falsos. Estima-se que um documento falso custe cerca de R$ 300 mil.

  - Só posso dizer que se trata de uma organização criminosa que tenta aumentar o valor dos jogadores não-europeus através de passaportes falsos - disse o comandante da polícia em Udine, Giuseppe De Donno.

  A história que envolve os brasileiros começou em 12 de julho, quando Edu, transferido do Corinthians para o Arsenal, foi descoberto no aeroporto de Londres com passaporte português falso. Outro caso foi de Warley e Alberto, detidos na Polônia por suspeita de documento falso. Os três jogadores brasileiros tem o mesmo procurador, Juan Figer.

  Warley tinha entrado na Itália com passaporte brasileiro e arranjou um português, enquanto Alberto já o tinha quando começou no Udinese. Os dois passaportes foram emitidos em 1991 com nome de outras pessoas. No mesmo clube, o brasileiro Jorginho e o uruguaio Da Silva tinham passaportes falsos.

  - Descobrimos que o passaporte de Da Silva foi assinado pelo mesmo funcionário que emitiu os documentos de Warley e Alberto. Só que este funcionário não existe - explicou Giuseppe De Donno.

  O escândalo dos passaportes envolve também dois jogadores freqüentes na seleção brasileira: Marcos Assunção e Dida. Em relação ao goleiro, foi descoberto que seu passaporte de Portugal era falso. O documento tinha a mesma assinatura do funcionário fantasma português que figurava nos passaportes de Warley e Alberto. Por sorte ou prudência, o clube havia registrado Dida com o passaporte legítimo brasileiro. Assim, ele não será expulso do país.

  Existem duas versões conflitantes no caso de Marcos Assunção. Não se sabe se o seu passaporte português existe ou não. Na quarta-feira, o procurador do jogador, Eli Coimbra, afirmou que não existe o passaporte. Coimbra afirma que apresentou a documentação ao Consulado de São Paulo para poder obter a cidadania portuguesa. Mas suspeita-se que este passaporte de Marcos Assunção exista e que tenha sido entregue ao Consulado de Portugal em Roma, que transmitiu a documentação a Lisboa. Segundo fontes portuguesas, o número do passaporte não corresponde a um cidadão português chamado Marcos Assunção. (Gina de Azevedo Marques, AG)


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