ROMA. Tudo
começou com o argentino Verón, da Lazio, mas a onda dos passaportes falsos está
aumentando cada vez mais na Itália. O escândalo envolve jogadores brasileiros e
duvidosos documentos portugueses. Depois do caso de Warley, Alberto e Jorginho, do
Udinese, na última quarta-feira Dedé e Jeda do Vicenza receberam mandato de expulsão do
território italiano por falsificação de passaporte. Agora, é a vez de Dida estar sob
suspeita. Para evitar problemas, os procuradores e os clubes de Dida (Milan) e Marcos
Assunção (Roma) preferiram verificar a validade dos passaportes de seus jogadores antes
de apresentá-los na Federação.
A investigação sobre Verón partiu da Procuradoria da República sobre
um passaporte argentino que se fez passar por italiano graças a um parente, Giuseppe
Portella, tataravô da mãe. O objetivo: não passar do limite de cinco jogadores
não-europeus.
Além da Itália, Portugal é considerado um dos países-chaves no esquema de
passaportes falsos. Estima-se que um documento falso custe cerca de R$ 300 mil.
- Só posso dizer que se trata de uma organização criminosa que tenta aumentar
o valor dos jogadores não-europeus através de passaportes falsos - disse o comandante da
polícia em Udine, Giuseppe De Donno.
A história que envolve os brasileiros começou em 12 de julho, quando Edu,
transferido do Corinthians para o Arsenal, foi descoberto no aeroporto de Londres com
passaporte português falso. Outro caso foi de Warley e Alberto, detidos na Polônia por
suspeita de documento falso. Os três jogadores brasileiros tem o mesmo procurador, Juan
Figer.
Warley tinha entrado na Itália com passaporte brasileiro e arranjou um
português, enquanto Alberto já o tinha quando começou no Udinese. Os dois passaportes
foram emitidos em 1991 com nome de outras pessoas. No mesmo clube, o brasileiro Jorginho e
o uruguaio Da Silva tinham passaportes falsos.
- Descobrimos que o passaporte de Da Silva foi assinado pelo mesmo funcionário
que emitiu os documentos de Warley e Alberto. Só que este funcionário não existe -
explicou Giuseppe De Donno.
O escândalo dos passaportes envolve também dois jogadores freqüentes na
seleção brasileira: Marcos Assunção e Dida. Em relação ao goleiro, foi descoberto
que seu passaporte de Portugal era falso. O documento tinha a mesma assinatura do
funcionário fantasma português que figurava nos passaportes de Warley e Alberto. Por
sorte ou prudência, o clube havia registrado Dida com o passaporte legítimo brasileiro.
Assim, ele não será expulso do país.
Existem duas versões conflitantes no caso de Marcos Assunção. Não se sabe se
o seu passaporte português existe ou não. Na quarta-feira, o procurador do jogador, Eli
Coimbra, afirmou que não existe o passaporte. Coimbra afirma que apresentou a
documentação ao Consulado de São Paulo para poder obter a cidadania portuguesa. Mas
suspeita-se que este passaporte de Marcos Assunção exista e que tenha sido entregue ao
Consulado de Portugal em Roma, que transmitiu a documentação a Lisboa. Segundo fontes
portuguesas, o número do passaporte não corresponde a um cidadão português chamado
Marcos Assunção. (Gina de Azevedo Marques, AG)