As
cenas, nas quais aparecia o símbolo da RTI, foram usadas pelos militares de Israel para
identificar os linchadores, entre os quais um homem que mostrava com orgulho as mãos
sujas de sangue. Os filmes de outras emissoras foram tomados por policiais da Autoridade
Palestina (AP). A equipe da RTI escondeu o material.
Muitos palestinos pensaram tratar-se da estatal italiana RAI e os
cinegrafistas da emissora passaram a ser ameaçados. Dias depois, um jornal vinculado à
AP publicou uma carta do correspondente da RAI em Jerusalém, Riccardo Christiano, na qual
ele se dirigia aos "amigos palestinos" para esclarecer que as imagens haviam
sido feitas por uma concorrente. Segundo o diário britânico The Guardian, Christiano foi
ferido na cabeça ao cobrir distúrbios na manhã desse dia.
O caso provocou escândalo na Itália. A RTI, emissora privada pertencente
ao empresário e deputado Silvio Berlusconi, acusou a concorrente de ter posto em risco
seus profissionais e retirou-os da região. A RAI desculpou-se com a RTI e removeu
Christiano do posto. Como o ambiente também ficou pesado para a RAI, ela chamou de volta
todo seu pessoal. Christiano diz ter sido enganado, pois enviara a carta em caráter
particular a um amigo.
O partido de Berlusconi, a direitista Força Itália, qualificou a carta
de "mostra do anti-semitismo entre membros da esquerda italiana". (OESP, com EFE
e The Guardian)