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Televisões italianas retiram correspondentes

21/10/2000

 

 

ROMA - As emissoras de TV da Itália retiraram todos os seus correspondentes de Israel e dos territórios palestinos ocupados por considerar que eles não têm mais segurança depois que foram difundidas em todo o mundo imagens do linchamento de três soldados israelenses tomadas pela equipe da italiana RTI.

   As cenas, nas quais aparecia o símbolo da RTI, foram usadas pelos militares de Israel para identificar os linchadores, entre os quais um homem que mostrava com orgulho as mãos sujas de sangue. Os filmes de outras emissoras foram tomados por policiais da Autoridade Palestina (AP). A equipe da RTI escondeu o material.

   Muitos palestinos pensaram tratar-se da estatal italiana RAI e os cinegrafistas da emissora passaram a ser ameaçados. Dias depois, um jornal vinculado à AP publicou uma carta do correspondente da RAI em Jerusalém, Riccardo Christiano, na qual ele se dirigia aos "amigos palestinos" para esclarecer que as imagens haviam sido feitas por uma concorrente. Segundo o diário britânico The Guardian, Christiano foi ferido na cabeça ao cobrir distúrbios na manhã desse dia.

   O caso provocou escândalo na Itália. A RTI, emissora privada pertencente ao empresário e deputado Silvio Berlusconi, acusou a concorrente de ter posto em risco seus profissionais e retirou-os da região. A RAI desculpou-se com a RTI e removeu Christiano do posto. Como o ambiente também ficou pesado para a RAI, ela chamou de volta todo seu pessoal. Christiano diz ter sido enganado, pois enviara a carta em caráter particular a um amigo.

   O partido de Berlusconi, a direitista Força Itália, qualificou a carta de "mostra do anti-semitismo entre membros da esquerda italiana". (OESP, com EFE e The Guardian)


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