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Consórcio unirá empresas do Brasil e da Itália

30/10/2000

 

 

Os pequenos empresários da indústria têxtil de Jaraguá do Sul, cidade que fica 209 quilômetros ao norte de Florianópolis, estão pensando grande.

   Querem transformar a cidade num centro de referência para o setor em Santa Catarina e se preparam para dar um salto. Numa iniciativa inédita no Brasil, eles vão fechar, em novembro, um consórcio de competitividade com a região de Emilia Romagna, no norte da Itália, famosa por descobrir antes dos outros o que vai ser moda em todo mundo.

   Os empresários de Jaraguá do Sul não estão sozinhos. Eles contam com o apoio e colaboração da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Fampesc), da Agência Catarinense de Fomento (Badesc) e da Associação das Pequenas Empresas do Vale do Itapocu (Apevi), região onde se localiza a cidade.

   Representantes das três entidades catarinenses visitaram várias cidades da Itália, entre os dias 30 de abril e 6 de maio, em busca de oportunidades de intercâmbio para vários setores da economia catarinense. Encontraram modelos a serem adaptados às micro e pequenas do Estado.

   Durante a visita nasceu a idéia do consórcio de competitividade, a ser fechado entre 20 empresas de Jaraguá do Sul e o Centro de Informação Têxtil de Emilia Romagna (Citer), entidade de pesquisa que tem grande influência no mundo da moda, repassando para 1.600 empresas têxteis todas as informações necessárias para que aquela região italiana dispare sempre na frente a cada lançamento de coleção.

   Tendências da moda, informações técnicas sobre materiais, tecidos, linhas, formas e cores, quadro econômico do setor, consumo, a problemática da distribuição, qualquer coisa que os associados ao Citer quiserem saber terão prontamente nas mãos por meio desse intercâmbio. Tudo para que elas estejam sempre à frente de todos no mercado.

   "A formação do consórcio é o primeiro grande passo que as pequenas empresas têxteis de Jaraguá do Sul dão na tentativa de se adequarem, atender ao mercado interno e se preparar para o externo", afirma o presidente da Fampesc, Luiz Carlos Floriani, que coordenou a visita dos 61 empresários catarinenses à Itália. Segundo ele, depois desse primeiro momento de adequação ao mercado, a grande pretensão de Jaraguá do Sul é a criação da primeira entidade similar ao Citer no Brasil. "Vamos adaptar o modelo italiano a nossa realidade, para que possamos ganhar mais agilidade e nos tornar competitivos", diz o presidente da Apevi, Everaldo Batista de Oliveira.

   De um lado, brasileiros sedentos por informação e de outro, italianos em busca de novos mercados. "Com esse consórcio eles poderão criar várias oportunidades de importação e exportação", diz Oliveira. "Eles querem espaço para vender seus insumos e têm em Santa Catarina um mercado que busca ascensão", completa Floriani.  

   Acordo - De olho no que a Itália tem a oferecer, os catarinenses conseguiram mais no país visitado. A assinatura do consórcio de competitividade ocorrerá ao mesmo tempo que os governos catarinense e de Emília Romagna (cuja capital é Bolonha) fecharão um acordo de cooperação.

   Este acordo tem por objetivo fortalecer as relações econômicas, científicas e culturais entre as duas cidades, ficando os dois governos com a responsabilidade de incentivar os empresários a importarem e exportarem seus produtos.

   O documento ajuda a estreitar ainda mais as relações entre os empresários de Jaraguá do Sul e os associados ao Citer. Ainda não se sabe quais autoridades italianas virão a Santa Catarina, mas sabe-se que o acordo entre os governos será assinado dia 30 de novembro. (Jeni Andrade, OESP)


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