Querem transformar a cidade num
centro de referência para o setor em Santa Catarina e se preparam para dar um salto. Numa
iniciativa inédita no Brasil, eles vão fechar, em novembro, um consórcio de
competitividade com a região de Emilia Romagna, no norte da Itália, famosa por descobrir
antes dos outros o que vai ser moda em todo mundo.
Os empresários de Jaraguá do Sul não estão sozinhos. Eles contam com o
apoio e colaboração da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de
Santa Catarina (Fampesc), da Agência Catarinense de Fomento (Badesc) e da Associação
das Pequenas Empresas do Vale do Itapocu (Apevi), região onde se localiza a cidade.
Representantes das três entidades catarinenses visitaram várias cidades
da Itália, entre os dias 30 de abril e 6 de maio, em busca de oportunidades de
intercâmbio para vários setores da economia catarinense. Encontraram modelos a serem
adaptados às micro e pequenas do Estado.
Durante a visita nasceu a idéia do consórcio de competitividade, a ser
fechado entre 20 empresas de Jaraguá do Sul e o Centro de Informação Têxtil de Emilia
Romagna (Citer), entidade de pesquisa que tem grande influência no mundo da moda,
repassando para 1.600 empresas têxteis todas as informações necessárias para que
aquela região italiana dispare sempre na frente a cada lançamento de coleção.
Tendências da moda, informações técnicas sobre materiais, tecidos,
linhas, formas e cores, quadro econômico do setor, consumo, a problemática da
distribuição, qualquer coisa que os associados ao Citer quiserem saber terão
prontamente nas mãos por meio desse intercâmbio. Tudo para que elas estejam sempre à
frente de todos no mercado.
"A formação do consórcio é o primeiro grande passo que as
pequenas empresas têxteis de Jaraguá do Sul dão na tentativa de se adequarem, atender
ao mercado interno e se preparar para o externo", afirma o presidente da Fampesc,
Luiz Carlos Floriani, que coordenou a visita dos 61 empresários catarinenses à Itália.
Segundo ele, depois desse primeiro momento de adequação ao mercado, a grande pretensão
de Jaraguá do Sul é a criação da primeira entidade similar ao Citer no Brasil.
"Vamos adaptar o modelo italiano a nossa realidade, para que possamos ganhar mais
agilidade e nos tornar competitivos", diz o presidente da Apevi, Everaldo Batista de
Oliveira.
De um lado, brasileiros sedentos por informação e de outro, italianos em
busca de novos mercados. "Com esse consórcio eles poderão criar várias
oportunidades de importação e exportação", diz Oliveira. "Eles querem
espaço para vender seus insumos e têm em Santa Catarina um mercado que busca
ascensão", completa Floriani.
Acordo - De olho no que a Itália tem a oferecer, os catarinenses
conseguiram mais no país visitado. A assinatura do consórcio de competitividade
ocorrerá ao mesmo tempo que os governos catarinense e de Emília Romagna (cuja capital é
Bolonha) fecharão um acordo de cooperação.
Este acordo tem por objetivo fortalecer as relações econômicas,
científicas e culturais entre as duas cidades, ficando os dois governos com a
responsabilidade de incentivar os empresários a importarem e exportarem seus produtos.
O documento ajuda a estreitar ainda mais as relações entre os
empresários de Jaraguá do Sul e os associados ao Citer. Ainda não se sabe quais
autoridades italianas virão a Santa Catarina, mas sabe-se que o acordo entre os governos
será assinado dia 30 de novembro. (Jeni Andrade, OESP)