Ela foi descoberta em 1993, aos 18 anos. De
lá para cá, Laura Pausini lançou 5 CDs que venderam 16 milhões de cópias. Suas
apresentações na cidade chegam junto com o novo álbum, 'Best of Laura Pausini'Júlio Maria
Rostinho delicado, corpo atraente, repertório suportável.
Tudo o que a cantora Laura Pausini parecia ter desde que soltou a voz para ganhar a vida
pela primeira vez, no início dos anos 90, não ia além do que um punhado de artistas
internacionais - que surgem com prazo de validade determinado por suas próprias
gravadoras - possuem. Um ou dois anos de sucesso no Brasil e o investimento de sua
produção já seria recompensado.
Então a italiana deu uma rasteira no
próprio destino. Dos cinco álbuns que lançou até agora, vendeu 16 milhões de cópias
e arrebatou 160 discos de platina. Seu crescimento, comprovado por estes números
inimagináveis em tempos de indústria fonográfica estremecida, a tirou da sessão
"produto pop inofensivo". Sua aceitação, principalmente européia e em países
da América Latina, a levou ao topo da lista de artistas mais importantes da multinacional
Warner Music.
Suas apresentações em São Paulo
estão marcadas para os próximos dias 25, 26 e 27, no Credicard Hall. A pleno vapor,
chega aos palcos brasileiros ao mesmo tempo em que seu sexto álbum é distribuído nas
lojas. Intitulado Best Of Laura Pausini, sua primeira coletânea vem com canções que
aparecem regravadas em novos arranjos.
Parceria com Gil
Uma das faixas é cantada em
parceria com Gilberto Gil que, depois de entrar em estúdio com a cantora, chegou a
escrever uma carta em que não esconde sua surpresa com as qualidades técnicas da
artista. Outro disco de Laura vem sendo produzido em estúdio para ser lançado em março
de 2002. Todo registrado em Los Angeles, será o primeiro álbum inteiramente em inglês,
o que revela suas intenções de obter os mesmos êxitos no mercado americano.
O conservador e crítico espectador
italiano não se impressiona com números e resiste bravamente a uma aceitação do
trabalho de Laura. Na Itália, para estes, não vale ser só intérprete. É preciso
compor, como fazem os artistas conhecidos por lá como "cantautores". Em casa,
Laura Pausini joga no segundo time.
Ao menos por um momento a cantora
sentiu-se em estado de graça junto a seus compatriotas. Em 1993, quando tinha 18 anos,
inscreveu-se no Festival da Canção de San Remo para competir com a canção La
Solitudine. Foi preciso só mais um ano para que recebesse o The World Music Award, uma
espécie de Grammy europeu, na categoria "artista de maior vendagem na Itália".
Mas há histórias antes disso. Pouco
depois de largar a mamadeira, seu pai, Fabrizio, também músico, a levava para assistir
às suas apresentações. Com 12 anos não era ainda uma profissional, mas acumulava
quatro anos de experiências cantando esporadicamente em palcos de Bolonha. Por esta
época, gravou um disco sem compromisso chamado I Sogni di Laura. E nem imaginava o
estrondo que estava por vir. (©
Jornal da Tarde)
| Gil
empresta tempero brasileiro ao novo CD de Laura Pausini Além de dividir os vocais com a cantora italiana na
faixa 'Seamisai', que verteu para o português e espanhol, o músico baiano disse que
"ela está à altura das grandes intérpretes italianas"
Laura Pausini e
Gilberto Gil têm tanto em comum quanto Luciano Pavarotti e Jackson do Pandeiro. Em tempos
normais, não haveira explicações lógicas para um encontro como este. Laura conhece lá
uma Refazenda ou outra. Gil nunca ouvira nada da distante cantora.
No entanto, um
episódio - surpresa para o baiano e sinal de que os tempos estão produtivos para a
italiana - conduziu os músicos à reunião. Gil não só emprestou a voz como topou fazer
uma versão para o português e para o espanhol de trechos da canção Seamisai (Sei que
me Amavas), gravada pela primeira vez no disco Le Cose Che Vivi, de 96, e que está no
novo de Laura, The Best Of.
Em todo o trabalho há
duas canções inéditas: E Ritorno da Te e Una Storia Che Vale. As outras são
conhecidas, embora todas tenham sido regravadas e vestidas com nova produção. Entre elas
estão La Solitudine, de sua estréia, em 1993; Strani Amori, de 1994, do disco Laura; Le
Cose Che Vivi, de disco homônimo, de 1996; e Trate e il Mare, de seu mais recente álbum,
lançado no ano passado.
Gil mais pop
A música em que
Gil participa é uma balada romântica, de alguém prestes a perder a pessoa amada. O
baiano esforça-se por deixar sua marca. Talvez seja a gravação em que mais tenha se
distanciado de suas caracteríticas regionalistas.
A história é que
Gilberto Gil estava na Itália com Milton Nascimento em turnê européia para o
lançamento do disco Gil & Milton. Laura ficou sabendo de sua presença em Milão e
fez o convite para que gravassem juntos ao menos uma canção. Gil respondeu que não
tinha a menor idéia do que fazer, mesmo porque nada sabia sobre seu trabalho. Laura
insistiu dizendo que sabia o que ele deveria fazer porque conhecia um pouco sobre o
cantor. Era só para ser ele mesmo.
É certo de que ambos
pertencem à mesma gravadora, a Warner Music. Assim, fica pairando uma sombra de
desconfiança sobre qualquer consideração ou participação de um no álbum de outro.
Admiração recíproca ou armação? Ao menos, com respeito à cantora, é sabido que, em
sua lista de admirados, estão Chico Buarque, João Gilberto, Sérgio Mendes e Tom Jobim,
conforme já declarou.
Com relação à
Gilberto Gil, sabe-se que, nos últimos tempos, sua voz não tem escolhido parceiros com
tanto rigor. No mesmo disco Gil & Milton, chamou os irmãos-prodígio Sandy &
Júnior para cantarem uma das músicas. No novo álbum do Harmonia do Samba, divide vocais
com o amigo Xandy.
Bilhete amigo
E não foi só a
participação no disco. Gil escreveu ainda o seguinte bilhete à cantora, em que não
mede palavras para sublinhar sua admiração: "Eu não conhecia Laura e seu trabalho
até o convite para esta gravação, que veio acompanhado de dois dos seus discos. Ao
ouvi-los, fiquei conhecendo uma cantora de alta qualidade técnica e viva emoção, à
altura das grandes intérpretes italianas de tradição popular e ao nível das grandes
intérpretes internacionais atuais. Eu não sabia bem como poderia colaborar com seu novo
disco, mas ela sabia. Conhecia meu trabalho e queria que eu cantasse do meu jeito em uma
das faixas. Acabei vertendo a canção para o português e passei, com Laura, momentos
intensos e alegres em um estúdio em Milão, onde selamos com carinho uma mútua
admiração e, espero, uma nova amizade." (© Jornal da Tarde) |
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