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Bella Laura! Musa do pop italiano faz 3 shows em SP

18/10/2001

Caio Guatelli/AE SUCESSO: Laura caiu nas graças do público europeu e latino-americano


Ela foi descoberta em 1993, aos 18 anos. De lá para cá, Laura Pausini lançou 5 CDs que venderam 16 milhões de cópias. Suas apresentações na cidade chegam junto com o novo álbum, 'Best of Laura Pausini'

Júlio Maria

   Rostinho delicado, corpo atraente, repertório suportável. Tudo o que a cantora Laura Pausini parecia ter desde que soltou a voz para ganhar a vida pela primeira vez, no início dos anos 90, não ia além do que um punhado de artistas internacionais - que surgem com prazo de validade determinado por suas próprias gravadoras - possuem. Um ou dois anos de sucesso no Brasil e o investimento de sua produção já seria recompensado.

   Então a italiana deu uma rasteira no próprio destino. Dos cinco álbuns que lançou até agora, vendeu 16 milhões de cópias e arrebatou 160 discos de platina. Seu crescimento, comprovado por estes números inimagináveis em tempos de indústria fonográfica estremecida, a tirou da sessão "produto pop inofensivo". Sua aceitação, principalmente européia e em países da América Latina, a levou ao topo da lista de artistas mais importantes da multinacional Warner Music.

   Suas apresentações em São Paulo estão marcadas para os próximos dias 25, 26 e 27, no Credicard Hall. A pleno vapor, chega aos palcos brasileiros ao mesmo tempo em que seu sexto álbum é distribuído nas lojas. Intitulado Best Of Laura Pausini, sua primeira coletânea vem com canções que aparecem regravadas em novos arranjos.

   Parceria com Gil

   Uma das faixas é cantada em parceria com Gilberto Gil que, depois de entrar em estúdio com a cantora, chegou a escrever uma carta em que não esconde sua surpresa com as qualidades técnicas da artista. Outro disco de Laura vem sendo produzido em estúdio para ser lançado em março de 2002. Todo registrado em Los Angeles, será o primeiro álbum inteiramente em inglês, o que revela suas intenções de obter os mesmos êxitos no mercado americano.

   O conservador e crítico espectador italiano não se impressiona com números e resiste bravamente a uma aceitação do trabalho de Laura. Na Itália, para estes, não vale ser só intérprete. É preciso compor, como fazem os artistas conhecidos por lá como "cantautores". Em casa, Laura Pausini joga no segundo time.

   Ao menos por um momento a cantora sentiu-se em estado de graça junto a seus compatriotas. Em 1993, quando tinha 18 anos, inscreveu-se no Festival da Canção de San Remo para competir com a canção La Solitudine. Foi preciso só mais um ano para que recebesse o The World Music Award, uma espécie de Grammy europeu, na categoria "artista de maior vendagem na Itália".

   Mas há histórias antes disso. Pouco depois de largar a mamadeira, seu pai, Fabrizio, também músico, a levava para assistir às suas apresentações. Com 12 anos não era ainda uma profissional, mas acumulava quatro anos de experiências cantando esporadicamente em palcos de Bolonha. Por esta época, gravou um disco sem compromisso chamado I Sogni di Laura. E nem imaginava o estrondo que estava por vir. (© Jornal da Tarde)

Gil empresta tempero brasileiro ao novo CD de Laura Pausini

Além de dividir os vocais com a cantora italiana na faixa 'Seamisai', que verteu para o português e espanhol, o músico baiano disse que "ela está à altura das grandes intérpretes italianas"

   Laura Pausini e Gilberto Gil têm tanto em comum quanto Luciano Pavarotti e Jackson do Pandeiro. Em tempos normais, não haveira explicações lógicas para um encontro como este. Laura conhece lá uma Refazenda ou outra. Gil nunca ouvira nada da distante cantora.

   No entanto, um episódio - surpresa para o baiano e sinal de que os tempos estão produtivos para a italiana - conduziu os músicos à reunião. Gil não só emprestou a voz como topou fazer uma versão para o português e para o espanhol de trechos da canção Seamisai (Sei que me Amavas), gravada pela primeira vez no disco Le Cose Che Vivi, de 96, e que está no novo de Laura, The Best Of.

   Em todo o trabalho há duas canções inéditas: E Ritorno da Te e Una Storia Che Vale. As outras são conhecidas, embora todas tenham sido regravadas e vestidas com nova produção. Entre elas estão La Solitudine, de sua estréia, em 1993; Strani Amori, de 1994, do disco Laura; Le Cose Che Vivi, de disco homônimo, de 1996; e Trate e il Mare, de seu mais recente álbum, lançado no ano passado.

   Gil mais pop

   A música em que Gil participa é uma balada romântica, de alguém prestes a perder a pessoa amada. O baiano esforça-se por deixar sua marca. Talvez seja a gravação em que mais tenha se distanciado de suas caracteríticas regionalistas.

   A história é que Gilberto Gil estava na Itália com Milton Nascimento em turnê européia para o lançamento do disco Gil & Milton. Laura ficou sabendo de sua presença em Milão e fez o convite para que gravassem juntos ao menos uma canção. Gil respondeu que não tinha a menor idéia do que fazer, mesmo porque nada sabia sobre seu trabalho. Laura insistiu dizendo que sabia o que ele deveria fazer porque conhecia um pouco sobre o cantor. Era só para ser ele mesmo.

   É certo de que ambos pertencem à mesma gravadora, a Warner Music. Assim, fica pairando uma sombra de desconfiança sobre qualquer consideração ou participação de um no álbum de outro. Admiração recíproca ou armação? Ao menos, com respeito à cantora, é sabido que, em sua lista de admirados, estão Chico Buarque, João Gilberto, Sérgio Mendes e Tom Jobim, conforme já declarou.

   Com relação à Gilberto Gil, sabe-se que, nos últimos tempos, sua voz não tem escolhido parceiros com tanto rigor. No mesmo disco Gil & Milton, chamou os irmãos-prodígio Sandy & Júnior para cantarem uma das músicas. No novo álbum do Harmonia do Samba, divide vocais com o amigo Xandy.

   Bilhete amigo

   E não foi só a participação no disco. Gil escreveu ainda o seguinte bilhete à cantora, em que não mede palavras para sublinhar sua admiração: "Eu não conhecia Laura e seu trabalho até o convite para esta gravação, que veio acompanhado de dois dos seus discos. Ao ouvi-los, fiquei conhecendo uma cantora de alta qualidade técnica e viva emoção, à altura das grandes intérpretes italianas de tradição popular e ao nível das grandes intérpretes internacionais atuais. Eu não sabia bem como poderia colaborar com seu novo disco, mas ela sabia. Conhecia meu trabalho e queria que eu cantasse do meu jeito em uma das faixas. Acabei vertendo a canção para o português e passei, com Laura, momentos intensos e alegres em um estúdio em Milão, onde selamos com carinho uma mútua admiração e, espero, uma nova amizade." (© Jornal da Tarde)

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