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BRASÍLIA - O ex-banqueiro Salvatore
Cacciola foi localizado segunda-feira em Roma por agentes da Polícia Federal brasileira e
da Interpol, mas escapou de ser preso ao exibir seu passaporte italiano. Como tem dupla
cidadania (brasileira e italiana), Cacciola não pode ser preso porque não existe
acusação formal contra ele na Justiça da Itália. Depois de fugir do Brasil, há três
meses, ele está morando na capital italiana e a partir de agora terá seus passos
acompanhados pela Interpol.
Cacciola é acusado de ter causado um rombo de R$ 1,5 bilhão na crise da
desvalorização do real, em janeiro de 1999. Ele teria usado de influência para
conseguir empréstimo do Banco Central para tentar salvar sua instituição financeira, o
Banco Marka, que fez apostas erradas durante a crise cambial. O Banco FonteCindam também
teria recebido socorro do Banco Central.
A Polícia Federal vinha tentando localizar o ex-banqueiro na Itália
desde sua fuga. Ao ser abordado pela Interpol na segunda-feira, Cacciola foi obrigado a
dar todos seus endereços em Roma. O diretor da Interpol no Brasil, delegado Washington do
Nascimento Melo, acompanhou a operação e retorna hoje ao país. Ele participou também
das negociações entre a embaixada brasileira em Roma e o governo italiano. As
informações sobre Cacciola foram transmitidas ao diretor-geral da Polícia Federal,
Agílio Monteiro Filho.
A dupla cidadania de Cacciola tem dificultado sua extradição. O pedido
que o ministro da Justiça, José Gregori, encaminhou ao governo italiano baseou-se no
tratado assinado com a Itália, que abre a possibilidade de extradição de italianos que
tenham cometido crimes fora do seu país. A legislação do Brasil, contudo, não permite
a extradição de brasileiros acusados de delitos em outros países.
Um saída que está sendo negociada pela embaixada brasileira é o envio
do processo contra Cacciola à Justiça italiana. Assim, o ex-banqueiro poderia responder
pelos crimes de que é acusado mesmo estando fora do Brasil. Nesse caso, se Cacciola
tentasse fugir da Itália para outro país complicaria ainda mais sua situação, avaliam
policiais federais. Sem a proteção da dupla cidadania, ele poderia ser preso e sua
extradição para o Brasil seria viabilizada. (MÁRCIO DE FREITAS, JB) |