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Encontrados na Itália fósseis de uma nova espécie de dinossauro

14/11/2000

 

 

   ROMA - Paleontólogos italianos anunciaram que identificaram uma nova espécie de dinossauro que viveu há 200 milhões de anos - um dos mais antigos répteis carnívoros já descobertos.

   De acordo com os fragmentos fósseis encontrados numa pedreira na Lombardia, região do norte da Itália, o animal, denominado saltriossauro, tinha 8 metros de comprimento, pesava mais de 1 tonelada e possuía um pescoço longo e afiados dentes de 7 centímetros de comprimento, disse Giorgio Teruzzi, diretor de paleontologia no Museu de História Natural de Milão.

   Os cientistas acreditam que o saltriossauro viveu no início da era jurássica, comumente associada às formas mais primitivas de dinossauros carnívoros. O Jurássico foi de 208 a 140 milhões de anos atrás.

   "É o mais antigo dinossauro de três dedos e um dos mais antigos desses animais", disse Cristiano Dal Sasso, um dos pesquisadores, numa entrevista.

   Semelhança - O saltriossauro, cujo nome homenageia a pedreira onde os fósseis foram achados, é bem parecido com outro predador, o alossauro americano, mas acredita-se que ele o anteceda em 20 milhões de anos.

   "O interessante sobre esse dinossauro é que ele é mais especializado, tem uma relação mais próxima com as espécies mais avançadas", disse Thomas R.

   Holtz, paleontólogo do Departamento de Geologia da Universidade de Maryland.

   Os fósseis foram encontrados enterrados num bloco de calcário numa pedreira em Saltrio, ao norte de Milão, perto da fronteira com a Suíça, em 1996. Os pesquisadores começaram a estudá-los apenas no ano passado.

   O achado abrange mais de uma centena de fragmentos de ossos, o maior deles medindo 40 centímetros. O conjunto representa menos de 10% do esqueleto inteiro. Um dente também foi encontrado. 

   Ferocidade - Holtz disse que 200 milhões de anos atrás era uma época crítica para a evolução dos dinossauros carnívoros. Foi quando eles começaram a evoluir para predadores verdadeiramente ferozes, acrescentou.

   "Essa espécie será útil em termos da reconstrução da história dos dinossauros e das inter-relações entre vários grupos", observou Holtz.

   Os pesquisadores italianos disseram que a descoberta poderia acrescentar novos elementos ao estudo dos movimentos terrestres durante as eras geológicas. "A descoberta mostra que enormes extensões de terra emergiram no Jurássico", declarou Teruzzi. Um animal enorme como esse não teria sobrevivido se a Itália fosse constituída por uma série de pequenas ilhas, como algumas teorias sugerem, analisou. Em vez disso, o que é hoje a região da Lombardia e algumas partes da Suíça devem ter sido uma única massa de terra na era jurássica.

   Fragmentos de outros dinossauros foram encontrados nos últimos anos perto de Nápoles e Trieste, no nordeste da Itália. Pegadas foram achadas em Altamura e, no último verão, em San Giovanni Rotondo, duas cidades do sul do país. (OESP/AP)

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