Atualmente, o Slow Food reúne cerca
de 65 mil participantes, em 45 países. Surgiu bem menorzinho, em 1986, da revolta do
jornalista italiano Carlo Petrini com a abertura de um McDonald's na Piazza di Spagna, em
Roma.
Decidido a lutar contra a invasão, fundou um movimento em prol do bom
vinho e da boa comida. "O único modo de contra-atacar a invasão da comida rápida e
promover o valor dos alimentos puros e artesanais era criando uma entidade capaz de
trabalhar para protegê-los", disse.
Foi o que bastou. Em julho do mesmo ano, surgia oficialmente o movimento
em Bra, uma cidade no noroeste da Itália. Seus princípios logo se espalharam e viraram
uma luta pelo aumento da qualidade de vida para todos. Hoje, lançaram o projeto Slow
Cities, no qual um grupo de 36 cidades se uniu para melhorar a vida de seus cidadãos.
Muitas outras que cumprem os requisitos - ter menos de 60 mil habitantes e uma vida
tranqüila - já estão indo atrás da idéia.
Manifesto - Como movimento que se preze, o Slow Food também tem
manifesto. Ele foi aprovado em dezembro de 1989 em Paris. A data e o local têm
significado: 200 anos depois da Revolução Francesa, pessoas de vários partes do mundo
se encontram para "redescobrir a riqueza e os aromas de culinárias regionais em
oposição ao efeito padronizador da vida rápida".
"O Slow Food é um bastião contra a aldeia global de aromas e
sabores", prega o manifesto. O símbolo internacional do movimento não poderia ser
outro: um caracol, considerado "pequeno, prudente e cosmopolita".
Para manter a filosofia do movimento, os integrantes se encontram em
jantares temáticos, degustação de queijos, vinhos e tours gastronômicos. Dos 65 mil
integrantes, cerca de 35 mil são italianos, 5 mil alemães e 4.500 norte-americanos.
Segundo a Assessoria de Imprensa da entidade, há perto de 50 brasileiros no movimento.
Alguns deles estão formando um novo grupo no Rio de Janeiro (veja texto ao lado).
Roraima - Por trás do Slow Food, também está uma grande
estrutura. Em 1990, foi fundada a Editora Slow Food, que já publicou cerca de 50 livros
que celebram as tradições da comida na Itália e no resto do mundo. Há projetos na
Bósnia, na Itália, na Nicarágua. Aqui, ele se chama Hekura Project e se desenvolve em
Roraima. A cada mês, a cozinha de um hospital de doenças infecciosas do Estado recebe
uma quantia de dinheiro para dar aos pacientes comidas nutritivas da região. Há quatro
anos, surgiu a revista Slow, no site www.slowfood.com já se pode comprar de livros a
bolsas para garrafas de vinho e camisetas.
Para atacar o fast food, o movimento faz educação do paladar em mil
escolas italianas. Desde 1996, também se realiza a cada dois anos o Salone del Gusto. Em
Turim, teve 130 mil visitantes. O próximo deve ocorrer em Bonn.
O Slow Food ainda briga contra o uso de agrotóxicos e contra os
transgênicos. Já a agricultura orgânica é vista com melhores olhos, mas os alimentos
cultivados têm de ser, além de saudáveis, saborosos.
"Não há provas sobre a real necessidade dos alimentos geneticamente
modificados e eles não vão ajudar o problema da fome no terceiro mundo", segundo a
assessoria. "O necessário é auxiliar a agricultura tradicional, parte de nossa
herança cultural." (Luciana Garbin, OESP)