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O novo romance do escritor italiano Umberto Eco,
"Baudolino", que foi lançado na Itália na quarta-feira passada, está
conquistando rapidamente o leitor italiano, que em apenas três dias o transformou em um
dos livros mais vendidos da semana.
Com o novo romance, publicado vinte anos depois de sua primeira obra
literária, "O nome da rosa", que vendeu 16 milhões de exemplares no mundo, o
escritor de 68 anos, professor de semiótica e autor de vários ensaios, volta a narrar
histórias e aventuras da Idade Média.
O quarto romance de Eco, depois de "O pêndulo de Foucault" (1988)
e "A ilha do dia anterior" (1994), narra, em 526 páginas, a vida de Baudolino,
o fiho de um camponês pobre que é adotado por Frederico Barbaruiva, imperador do
Ocidente.
O livro de Eco foi lançado na terça-feira pelo o autor em Alessandria, sua
cidade natal, para um público particular, que incluía seus colegas de escola,
professores e sua irmã Emy, atriz de teatro.
Eco explicou seu processo de pesquisa para o livro. "Os estudos
preliminares foram notáveis (...) Foi preciso construir um calendário minucioso porque
é importante conhecer a história para poder desmentir os imbecis que depois escrevem
dizendo que você se enganou".
O romance começa em abril de 1204, quando Baudolino salva a vida do
historiador bizantino Niceta Coniate durante o sítio a Costantinopoles, e a quem termina
contando a história de sua vida.
Baudolino, filho de Gagliaudo, conta suas batalhas ao lado de Barbaruiva, a
derrota em Legnano, seus estudos em Paris, onde levou uma vida boêmia, sua volta à
corte, as cruzadas e seus amores.
"Umberto Eco escreveu um livro que ninguém esperava. Com um Baudolino
que pensa o que certamente Eco pensa do mundo", escreveu Roberto Cotroneo na revista
"L'Espresso", para quem a melhor parte da obra é o surpreendente final e sua
mensagem sobre a necessidade dos sonhos, da utopia e dos enganos da razão. (Folha
Online/France Presse) |