Manifestantes furiosos
assobiavam e gritavam na terça-feira, em protesto contra o plano do
ministro da Cultura italiano de permitir que a iniciativa privada
patrocine e administre os museus e sítios arqueológicos do país.
O plano, que provocou críticas severas de membros da comunidade cultural
internacional, efetivamente deixaria a administração da herança cultural italiana fora
das mãos do Estado.
Em uma entrevista à imprensa em Roma, o ministro da Cultura, Giuliano
Urbani, defendeu o plano, que, de acordo com ele, vai permitir que os visitantes vejam
muitas obras que hoje se escondem em porões.
"Não devemos nos preocupar, não vamos deixar a donzela que é nossa
herança cultural em águas perigosas", disse ele.
Na frente do Ministério, cerca de cem manifestantes assopravam cornetas e
apitos e gritavam palavras de ordem contra o plano, que também é contestado pela
oposição de centro-esquerda.
O governo de centro-direita diz que a vasta herança de templos e
palácios está sendo negligenciada pelo Estado e seria melhor administrada por empresas
privadas.
Urbani disse que uma quantidade "escandalosa" de coleções de
arte da Itália estava escondida ou esquecida e que a lei possibilitaria que essas obras
vissem a luz do dia, depois de décadas sendo ignoradas.
Ele disse que a manutenção e o restauro continuariam a cargo do Estado,
enquanto as empresas administradoras teriam contratos de cinco anos e operariam dentro de
normas estritas. O ministro disse que o Estado teria assim mais recursos e tempo para
realizar seu papel na cultura.
Os críticos não concordam, como os diretores de 37 dos museus mais
prestigiados dos Estados Unidos, Canadá e Europa, que assinaram uma petição pedindo que
o governo suspenda os planos. (© TERRA/Diversão) |