A Ferrari terá mais um brasileiro em 2002. Nesta sexta-feira, em
Maranello, a escuderia italiana anunciou a contratação de Luciano Burti,
26, como seu piloto de testes. Ele dividirá a função com o italiano Luca Badoer, 30, ex-Minardi, Forti
Corse e Scuderia Italia, que está na equipe desde 1998.
Paulistano, solteiro, filho de um empresário do setor gráfico, Burti foi
vice-campeão da F-3 inglesa em 1999 e estreou na categoria no ano passado, substituindo
Eddie Irvine, da Jaguar, na Áustria.
Neste ano, disputou outras 14 corridas: quatro pela Jaguar e dez pela
Prost. Seus melhores resultados foram dois oitavos lugares, nos GPs da Austrália e do
Canadá.
Sem emplacar grandes performances, Burti ficou marcado pelos acidentes. No
GP da Alemanha, em julho, decolou ao acertar o carro de Michael Schumacher. Dois meses
depois, ficou oito dias internado após uma batida com Irvine no GP da Bélgica, em Spa.
Impedido de pilotar até o final do ano por ordem dos médicos, Burti foi
substituído na Prost por Tomas Enge e não disputou as últimas três etapas da
temporada.
Somada à falta de resultados, a situação médica de Burti fez surgir
boatos sobre uma transferência para a Indy ou até mesmo sobre uma aposentadoria precoce.
O piloto, porém, sempre rebateu essas hipóteses, dizendo que, se não
conseguisse vaga como titular, aceitaria ser piloto de testes.
Alguns fatores contribuíram para sua contratação pela Ferrari.
Primeiro, sua forte amizade com Rubens Barrichello, titular da equipe, com
quem chegou a dividir uma casa na Inglaterra.
Segundo, seu bom desempenho como piloto de testes da Stewart e da Jaguar,
em 1999 e 2000.
Terceiro, o fato de a Ferrari estar atrasada no planejamento para 2002.
Assim que o carro ficar pronto, talvez só em fevereiro, precisará ser testado ao
máximo.
Por fim, Badoer vai estar envolvido no desenvolvimento da 550 Maranello,
que participará de corridas de Gran-turismo. Daí, a decisão da escuderia de contratar
um segundo piloto de testes.
Ontem, Burti estava viajando para os EUA, onde passará férias, e não deu declarações.
Hoje, deve falar pela primeira vez como funcionário da equipe mais tradicional do
automobilismo mundial.
Ele será o segundo brasileiro a ocupar a função na escuderia. Em 1988,
Roberto Moreno foi contratado pela Ferrari para trabalhar no desenvolvimento do câmbio
automático. (FÁBIO SEIXAS) (© Folha de S. Paulo) |