Retornar ao índice ItaliaOggi

Notizie d'Italia

 

Família quer saber destino de italiano que esteve no Araguaia

19/11/2001

 


Evandro Éboli

   BRASÍLIA. O governo da Itália vai cobrar do governo brasileiro informações sobre o paradeiro do italiano Líbero Giancarlo Castiglia, único estrangeiro entre os 69 guerrilheiros que atuaram na Guerrilha do Araguaia, no Sul do Pará, no início dos anos 70. A pedido da família de Líbero, o Ministério das Relações Exteriores italiano já acionou o Consulado da Itália no Rio para que tome providências e indague das autoridades brasileiras o destino do guerrilheiro.

   Líbero usou o codinome Joca e foi um dos primeiros ativistas do PCdoB a chegar à região do Araguaia, em dezembro de 1967. Ele fazia a segurança do grupo que era integrado pelos dirigentes Maurício Grabois e Elza Monerat. Líbero foi do Destacamento A, com base em Marabá, e também da Comissão Militar, que dava as diretrizes da guerrilha. Ele era operário no Rio e de uma família de tradição comunista.

Italiano teria sido morto numa ação militar em 73

   Um dos documentos de referência do PCdoB sobre a Guerrilha do Araguaia, o Relatório Arroyo, afirma que Líbero estava no grupo de guerrilheiros mortos por uma ação dos militares no Natal de 1973, na Serra das Andorinhas.

   A família do guerrilheiro voltou para a Itália, mas não vendeu a casa onde viveu, em Vista Alegre, no Rio. Era a única referência que Joca teria, caso retornasse um dia. Só agora o imóvel foi posto à venda.

   — A família sempre recusou-se a acreditar que ele estivesse morto. Até que o governo brasileiro pagou a indenização aos parentes e assumiu a culpa. Mas o corpo não apareceu até hoje. O Estado brasileiro tem a obrigação de nos prestar informações. A obrigação do Estado era prender e deportar, independentemente de se tratar de alguém que vivia na clandestinidade — disse Wladimir Castiglia, sobrinho brasileiro de Líbero.

   Wladimir integrou a expedição que esteve em Xambioá, no Tocantins, há um mês, em busca dos restos mortais de desaparecidos políticos. Pelos depoimentos de moradores, uma das ossadas localizadas pode ser a de Joca. O Departamento de Antropologia Forense do Instituto de Medicina Legal (IML) do Distrito Federal está examinando as ossadas.

   Líbero Giancarlo nasceu na aldeia de San Lúcido, em Cosenza, na Calábria. A última pessoa da família a vê-lo foi a irmã Wanda. Eles estavam indo para a casa dos pais, em 1971, numa de suas idas ao Rio. Joca disse a Wanda para seguir em frente e desceu do ônibus.

   — O Joca parecia tímido, mas era só na aparência. Ajudou muitos as pessoas e trabalhou como médico para a população carente. Por causa de seu sotaque italiano o chamavam de paulista — disse Micheas Gomes Almeida, o Zezinho, um dos poucos sobreviventes da guerrilha.

   Vitória Grabois conheceu Líbero e se recorda do seu ingresso no PCdoB.

   — Lembro-me de que chegou às mãos de seu pai um exemplar do jornal “Classe Operária” (órgão do PCdoB). Eles descobriram que havia partido comunista no Brasil e ingressaram — afirmou Vitória, que perdeu o pai, o irmão e o marido na guerrilha.

   Líbero fez um treinamento de guerrilha na China, durante um ano e meio, após o golpe militar de 1964. Até hoje, dirigentes do Partido da Refundazione Comunista da Itália (antigo PCI) ligam para o PCdoB à procura de informações sobre Líbero.

   A comissão que esteve em Xambioá mês passado obteve relatos de uma senhora, identificada apenas como Domingas, que afirma ter conhecido Líbero. Ela afirmou que o viu morto e que seu corpo estava em exposição na delegacia de Xambioá.

Guerrilha começou a ser preparada nos anos 60

   A Guerrilha do Araguaia foi organizada pelo PCdoB desde a segunda metade dos anos 60, com o deslocamento de militantes para a região. Em 72, a atividade foi descoberta pelo Exército, que enviou tropas. Depois de três campanhas militares, a guerrilha foi derrotada e em janeiro de 75 a maioria de seus integrantes já estava morta.

   Militantes dados como desaparecidos foram executados depois de presos e interrogados por militares. (© O Globo)

A Dupla Noite das Tílias La Doppia Notte dei Tigli
Autor: Carlo Levi
Tradução: Liliana Laganá
Editora: Berlendis & Vertecchia

Publicidade

Pesquise no Site ou Web

Google
Web ItaliaOggi

Notizie d'Italia | Gastronomia | Migrazioni | Cidadania | Home ItaliaOggi