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Médico italiano promete bebê clone em 2002

28/11/2001

Gina de Azevedo Marques

   O médico italiano que promete clonar bebês não tem medo das conseqüências de sua experiência. Severino Antinori, de 55 anos, criador das mães-avós (mulheres que conseguiram ter filhos depois da menopausa por meio da fertilização in vitro), revela que o primeiro bebê clonado provavelmente nascerá em novembro de 2002, fora da Itália, num país cujo nome não diz. A idéia de implantar um embrião clonado no útero de uma mulher é repudiada por praticamente toda a comunidade científica internacional, mas Antinori garante que irá fazer isso dentro de poucos meses.

   Apesar de dizer que não gosta de polêmica, o professor não mede as palavras ao comparar a opinião do presidente americano George W. Bush sobre clonagem ao fundamentalismo do Talibã. Para Antinori, seriam necessárias “tropas morais” para libertar os Estados Unidos. Ele diz que é vítima de uma perseguição injusta por parte da Igreja Católica e dos governos da Itália e dos Estados Unidos. Na entrevista ao GLOBO, concedida em sua clínica em Roma, no elegante bairro Prati, entre as fotos de crianças concebidas em seu laboratório, Antinori alega não entender as restrições à clonagem de bebês e pergunta: “Por que impedir alguém de ter um filho?”

Em que estágio estão as suas pesquisas de clonagem?

SEVERINO ANTINORI: Estamos muito avançados.

A clonagem é perigosa?

ANTINORI: Nós estamos chegando a um nível seguro e eficaz. De 20 macacos clonados, 19 eram perfeitos, sem malformações. Infelizmente com as ovelhas clonadas, como a Dolly, isso não acontece. Elas apresentam uma taxa de anomalia de 30%. Nos macacos, primatas como nós, essa taxa de defeitos é de 3%.

O senhor já tem um embrião?

ANTINORI: Fora da Itália, temos estudos de embriões humanos que estão em fase avançada, mas eles ainda não foram introduzidos no útero de uma mulher. Porém, isto será feito nos próximos meses.

Quando nascerá o primeiro bebê clonado?

ANTINORI: Entre novembro e dezembro do próximo ano. Será um grande sucesso.

Por que o senhor disse que a ACT roubou a sua idéia? A tecnologia não pode ser explorada por outras pessoas?

ANTINORI: Conversei com eles (os cientistas da Advanced Cell Technology, que fizeram o primeiro embrião humano clonado) em 7 de agosto. Eles roubaram minha idéia. Infelizmente na Itália eu não pude fazer nada para evitar que isso acontecesse. Fui proibido.

O senhor já causou polêmica antes, ao ajudar mulheres que já passaram da menopausa a serem mães. Por quê faz isso?

ANTINORI: Há dez anos, quando eu disse que uma mulher que já havia passado pela menopausa poderia ter um filho, parecia um absurdo. Hoje já nasceram cerca de 50 mil crianças, filhas de mulheres com mais 50 anos. Esta também é uma invenção minha.

Romper barreiras é algo que lhe fascina, não? Por quê?

ANTINORI: Sim, sou como um jogador de futebol que quer sempre o gol. Como se diz no Brasil? Um craque? Por falar em Brasil, recebo diversos convites para participar de simpósios lá. Tenho muito respeito pela medicina brasileira. O espírito latino é criativo, inventivo, desafiante. Já o anglo-saxão é rígido, sem jogo de cintura.

O senhor tem contato com médicos brasileiros e trabalha em conjunto com eles?

ANTINORI: Tenho contatos.

O senhor acha que um dia a clonagem será uma coisa comum?

ANTINORI: Sim. Daqui a cinco anos a clonagem será uma coisa comum.

Quanto custa clonar um bebê?

ANTINORI:Será uma técnica reprodutiva como outra qualquer. Poderá custar cinco milhões de liras (cerca de R$ 5.000).

O senhor não tem medo do impacto negativo que a clonagem possa ter sobre a sua carreira?

ANTINORI: Não. Não matamos ninguém. Que mal há em ter um filho que se parece comigo?

Há candidatos a clonagem brasileiros?

ANTINORI: Fui procurado por mais de dez casais brasileiros.

O senhor foi muito criticado pela Igreja Católica. Como responde a essas críticas?

ANTINORI: Já denunciei no Tribunal de Haia o cardeal Joseph Ratzinger (prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano) porque ele me comparou a Hitler. É um absurdo. A hipocrisia é que o Ocidente quer libertar o Afeganistão dos talibãs, mas age com a mesma mentalidade deles. Os americanos querem tirar as burkas das afegãs e colocar nos cientistas. Precisamos de tropas morais para libertar os Estados Unidos de Bush . O direito de transmitir os próprios genes é ancestral. (© O Globo)

Vaticano está preocupado com primeira clonagem humana

da France Presse, em Roma

   O Vaticano expressou hoje sua preocupação com o anúncio da primeira clonagem de um embrião humano feito pela companhia americana Advanced Cell Technology, e voltou a condenar esse tipo de experência.

   A primeira reação do Vaticano chegou com por Tarcísio Bertone, secretário da Congregação para a doutrina da fé, a instituição dirigida pelo cardeal Joseph Ratzinger. "Ainda não sabemos exatamente qual é o processo e se pode ser definido como uma verdadeira clonagem humana", disse monsenhor Bertone à agência de imprensa italiana "Ansa".

   "Ainda é preciso uma série de verificações científicas seja feita", acrescentou.

   O prelado recordou a condenação do Vaticano de qualquer clonagem humana.
"Temos de fazer uma distinção", frisou. "Se os cientistas americanos extraíram uma célula-mãe de um paciente para enxertá-la num óvulo, para reprogramá-lo geneticamente; se depois se formou um embrião, que foi destruído para que suas células fossem cultivadas para a obtenção de outras células-mãe, que depois se transformam em células nervosas, então se trata de uma verdadeira clonagem humana, que deve ser condenada porque foi criado e depois destruído um verdadeiro embrião humano", explicou.

   "Mas, se, ao contrário, os cientistas conseguiram obter células-mães semelhantes às do paciente utilizando células-mães não embrionárias, então se trataria de uma verdadeira conquista científica, a qual poderia ser considerada como eticamente positiva", frisou.

   A companhia americana Advanced Cell Technology divulgou hoje que conseguiu clonar com sucesso um embrião humano para produzir células-mães para fins terapêuticos.

   Usando uma técnica chamada partenogênese, a companhia afirmou que os "resultados preliminares explicam a teoria segundo a qual a reprogramação das células humanas é possível".
(© Folha Online)
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