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da Reuters, em Roma
O representante italiano de um grupo holandês favorável à eutanásia
está sob investigação devido a suspeitas de que ele teria ajudado pacientes terminais a
ir à Holanda para morrer, disse uma autoridade judicial.
A polícia da cidade de Turim apreendeu computadores e arquivos do braço
local do grupo "Exit" após a publicação de uma entrevista com o presidente do
grupo, Emilio Coveri publicada em um jornal. Ele explicou como organiza viagens de
eutanásia para a Holanda.
"Ele está sendo investigado oficialmente por cumplicidade em homicídio
voluntário", disse Marcello Maddalena, chefe da Promotoria Pública de Turim, à
Reuters. O crime pode ser punido com até 15 anos de prisão.
O jornal La Stampa, de Turim, afirmou que Coveri estava trabalhando como um
intermediário de pacientes terminais em viagens para a Holanda.
Ele teria dito ao jornal que uma viagem pode ser organizada por US$ 4.535,
incluindo os gastos de viagem, acomodação e funeral. Coveri afirmou que se envolveu com
o grupo sem fins lucrativos após ver seu próprio pai sofrer uma morte lenta.
Um outro grupo de apoio à eutanásia, o Dutch Voluntary Euthanasia Society
(DVES, sigla em inglês para Sociedade de Eutanásia Voluntária da Holanda), informou que
é improvável que o italiano tenha organizado alguma viagem.
"As autoridades holandesas teriam descoberto qualquer estrangeiro que
viesse à Holanda para se submeter à eutanásia", disse Rob Gomquiere, chefe da
DVES. "O governo é contra qualquer forma de turismo de eutanásia."
Os magistrados italianos não deram detalhes da investigação. O La Stampa
informou que os policiais que fizeram a busca no escritório do grupo em Turim descobriram
cem declarações assinadas por pessoas afirmando que queriam ter o direito de morrer.
A Holanda e a Bélgica são os dois únicos países que permitem a chamada
morte assistida, embora existam grupos a favor da eutanásia em toda a Europa.
As propostas de legalização da eutanásia na Itália geraram polêmica,
particularmente entre as comunidades médica e católica.
"Só de pensar que um médico poderia ter acesso ao leito de um paciente
para administrar a morte, sinto meu estômago revirando", disse Giuseppe Del Barone,
presidente da Federação Nacional de Médicos. (©
Folha Online) |