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Roma
- É um dos monumentos mais
antipáticos e criticados de Roma, fechado para o público durante 31 anos, depois que uma
bomba explodiu lá, em 1969. Nesse tempo, serviu apenas como divisor do trânsito e
cenário para festas nacionais. Mas, desde o dia 4 de novembro, o Vittoriano - ou
"altar da pátria" -, entrou no roteiro de quem passa pela cidade eterna,
oferecendo acesso à parte externa e a algumas salas internas.
Construído
entre 1885 e 1921 para homenagear o primeiro rei da Itália unida, Vittorio Emanuele II,
nunca foi visto com bons olhos pelos romanos, que o consideram exemplo de arquitetura fria
e pomposa. Exageradamente grande - 14.500 metros quadrados -, fica no meio da Praça
Veneza, ao lado do Capitólio, no espaço onde existiu um bairro medieval inteiro.
Com sua imponência,
cobre o Foro romano e o Coliseu, e o estilo neoclássico copia com gosto e proporções
duvidosos a Acrópole ateniense. O branco estridente dos mármores que o revestem se choca
com a arquitetura da Roma antiga.
A antipatia dos romanos foi alimentada pela identificação do monumento
com o fascismo. Durante as grandes manifestações organizadas pelos "camicie
nere", de Benito Mussolini, o Vittoriano aparecia no fundo, como cenário. É que ele
fica em frente do Palácio Veneza - sede do governo do ditador, de onde ele fazia
discursos para a massa. Os termos escolhidos pelos romanos para designar o monumento
indicam a que ponto chega a antipatia - "bolo de noiva", "máquina de
escrever", "maior mictório público italiano" ou "monumental exemplar
de cretinice".
Turistas - A princípio, o público vai ter acesso a quase toda a parte
externa e a apenas três salas internas, onde estão expostos modelos em miniatura, fotos
e desenhos que contam a história da construção do monumento, que está aberto de terça
a domingo, das 10 horas às 16h30, com visitas guiadas gratuitas.
A estátua do rei Vittorio Emmanuele II, de 50 toneladas e 12 metros de
altura, foi restaurada. O acesso ao monumento dá-se pela escadaria central da Praça
Veneza, passando pelo grande pórtico até a série de colunas de 12 metros de altura.
Daqui a dois meses, o visitante poderá chegar a 81 metros de altura. "Esse é o
ponto mais alto do Vittoriano, a nossa `Torre Eiffel´, com vista total de Roma", diz
o superintendente de Belas Artes da cidade, Ruggero Martines.
Celebração à capital laica do novo Estado, o monumento surgiu em
contraposição ao Vaticano, para enfatizar que o poder papal era apenas espiritual.
Segundo Martines, com a reabertura, o Vittoriano vai ser usado do jeito que seus
construtores o imaginaram - uma grande praça no coração de Roma imperial, como o Foro
para os antigos romanos. (Assimina Vlahou, OESP) |