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Reaberto o mais criticado dos monumentos romanos

07/12/2000

O Vittoriano ou "altar da pátria"

 

Roma - É um dos monumentos mais antipáticos e criticados de Roma, fechado para o público durante 31 anos, depois que uma bomba explodiu lá, em 1969. Nesse tempo, serviu apenas como divisor do trânsito e cenário para festas nacionais. Mas, desde o dia 4 de novembro, o Vittoriano - ou "altar da pátria" -, entrou no roteiro de quem passa pela cidade eterna, oferecendo acesso à parte externa e a algumas salas internas.

Construído entre 1885 e 1921 para homenagear o primeiro rei da Itália unida, Vittorio Emanuele II, nunca foi visto com bons olhos pelos romanos, que o consideram exemplo de arquitetura fria e pomposa. Exageradamente grande - 14.500 metros quadrados -, fica no meio da Praça Veneza, ao lado do Capitólio, no espaço onde existiu um bairro medieval inteiro.

   Com sua imponência, cobre o Foro romano e o Coliseu, e o estilo neoclássico copia com gosto e proporções duvidosos a Acrópole ateniense. O branco estridente dos mármores que o revestem se choca com a arquitetura da Roma antiga.

   A antipatia dos romanos foi alimentada pela identificação do monumento com o fascismo. Durante as grandes manifestações organizadas pelos "camicie nere", de Benito Mussolini, o Vittoriano aparecia no fundo, como cenário. É que ele fica em frente do Palácio Veneza - sede do governo do ditador, de onde ele fazia discursos para a massa. Os termos escolhidos pelos romanos para designar o monumento indicam a que ponto chega a antipatia - "bolo de noiva", "máquina de escrever", "maior mictório público italiano" ou "monumental exemplar de cretinice".

   Turistas - A princípio, o público vai ter acesso a quase toda a parte externa e a apenas três salas internas, onde estão expostos modelos em miniatura, fotos e desenhos que contam a história da construção do monumento, que está aberto de terça a domingo, das 10 horas às 16h30, com visitas guiadas gratuitas.

   A estátua do rei Vittorio Emmanuele II, de 50 toneladas e 12 metros de altura, foi restaurada. O acesso ao monumento dá-se pela escadaria central da Praça Veneza, passando pelo grande pórtico até a série de colunas de 12 metros de altura. Daqui a dois meses, o visitante poderá chegar a 81 metros de altura. "Esse é o ponto mais alto do Vittoriano, a nossa `Torre Eiffel´, com vista total de Roma", diz o superintendente de Belas Artes da cidade, Ruggero Martines.

   Celebração à capital laica do novo Estado, o monumento surgiu em contraposição ao Vaticano, para enfatizar que o poder papal era apenas espiritual. Segundo Martines, com a reabertura, o Vittoriano vai ser usado do jeito que seus construtores o imaginaram - uma grande praça no coração de Roma imperial, como o Foro para os antigos romanos. (Assimina Vlahou, OESP)

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