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A atriz italiana Claudia Cardinale e o ator francês Alain Delon
inauguraram terça-feira à noite na Cinemateca de Paris uma retrospectiva integral do
cineasta italiano Luchino Visconti.
O ciclo, que se iniciou com a exibição de Il gattopardo (O Leopardo,1963), em sua
versão completa de três horas e 25 minutos de duração, é organizado pela Escola
Nacional de Cinema da Itália, pela Cinemateca francesa e pela organização internacional
União Latina.
Todos os filmes do grande diretor italiano (1906-1976), submetidos a um
longo e minucioso trabalho de restauração na capital italiana, serão exibidos na sala
principal da Cinemateca parisiense até 31 de dezembro.
Durante a inauguração da retrospectiva, precedida de uma elegante
recepção, os convidados presentes viram descer as escadas da Cinemateca Claudia
Cardinale e Alain Delon, sorridentes, mãos dadas, e sempre jovens (de espírito), como se
os quase 40 anos que os separam da primeira estréia do filme não se tivessem passado.
Claudia chegou vestida com um belo vestido cinza e preto, bem decotado, e
Alain com um terno preto, com discretos óculos, que já usa permanentemente, e com seus
abundantes cabelos já medianamente grisalhos.
Ambos foram convidados pelo diretor da Cinemateca francesa, Dominique
Paine, a dirigir algumas palavras ao público. La Cardinale falou emocionada do
privilégio que foi para ela filmar com Visconti e do carinho que sempre teve por ele.
Delon disse que se trata da mais linda homenagem que se podia fazer ao
cineasta. "Passaram-se quase 40 anos desde que ouvimos a primeira ordem de 'motore',
e ele continua aqui presente conosco".
"Quando fizemos este filme eram outros tempos. Não havia vaca louca,
nem globalização, nem internet, mas este filme continua sendo vigente, porque é
simplesmente uma grande obra de arte", disse o ator, pedindo para se lembrar também
nesta oportunidade dos grandes "ausentes", como Burt Lancaster e Nino Rota, que
compôs a música.
"Il gattopardo" obteve a Palma de Ouro do Festival internacional
de Cannes, em 1963.
Momentos antes de começar a projeção, a AFP teve a chance de conversar com Claudia
Cardinale, que atualmente vive em Paris e continua conquistando admiradores por sua
adorável e sempre "juvenil" simpatia.
Claudia (60 anos e 120 filmes) recordou suas primeiras atuações no
cinema, seus anos passados entre Itália e França, e aproveitou a ocasião para enviar
uma afetuosa saudação "aos que continuam se lembrando dela na América
Latina". (Terra/AFP) |