Reinaldo Pitta, agente do jogador,
disse ontem que o futuro do atleta será decidido antes do Natal. Afastou a hipótese de
uma transferência para o Flamengo e adiantou que o Corinthians está no páreo.
"Teremos duas semanas para resolver a situação. O momento é de
esfriar a cabeça e não tomar uma decisão precipitada. O interesse do Flamengo não
passa de especulação. Temos obrigação moral de conversar com o Corinthians",
disse Pitta.
O agente ressalta que os dirigentes da Inter devem tomar uma posição e
não o atleta. "Não adianta ficarmos falando em transferência sem a concordância
da Inter. O Vampeta voltou ao Brasil com a autorização do clube. É um jogador
diferenciado, titular da Seleção Brasileira, tem de ter um tratamento especial. A Inter
é que deve dizer o que pretende ."
Vampeta, 26 anos, foi contratado do Corinthians, em agosto, por US$ 15
milhões. Assinou contrato de quatro anos com direito a US$ 2 milhões em salários por
temporada. Desembarcou em Milão dia 5 de setembro com o projeto de colocar os italianos
aos seus pés. Três meses depois, não conseguia nem vaga no banco de reservas da fraca
Inter.
Três ultimatos O clube trocou de técnico. Saiu o famoso Marcello
Lippi e entrou Marco Tardelli, e nada de Vampeta jogar. Uma série de três ultimatos,
reivindicando um lugar no time, e o volante resolveu pedir as contas.
"Sou um herói no Brasil, mas na Itália ninguém me conhece",
disse Vampeta com algum rancor, ontem, no desembarque em São Paulo. O jogador deve passar
uns dias na cidade revendo amigos enquanto aguarda o desenlace do seu caso.
Sua história se soma a de outros fracassos de brasileiros que foram à
Europa, viram e não gostaram. Quem não se lembra de Viola no Valencia da Espanha. O
atacante disse que não aprovou a comida espanhola, trocou a paella pela bolacha de
maizena. Marcelinho Carioca, também no Valencia, criou um enguiço e não ficou mais de
seis meses.
Luizão não suportou o La Coruña e voltou correndo para o Brasil.
Edmundo arrumou uma tremenda confusão na Fiorentina. Abandonou o time, que disputava o
título italiano, para passar o carnaval no Rio. Disse, meses depois, que estava
arrependido. Edmundo repetiu a história de Sócrates nos anos 80. O "Doutor"
retornou ao Brasil por não se adaptar aos costumes europeus.
Falcão talvez tenha sido uma das raras exceções. Este sim colocou a Itália aos seus
pés, sendo aclamado o "Rei de Roma". "Quando cheguei no futebol
italiano imaginei que poderia jogar como estava acostumado no Brasil. Com o tempo, aprendi
que tinha de respeitar o modo deles, o jeito deles jogarem. Depois, obedecer sempre às
determinações do técnico. Eu não era o Falcão, era mais um. Quando estava adaptado ao
estilo deles, aí sim passei a impor o meu estilo de jogo. Deu certo. No final da
história, não podia andar mais sossegado nas ruas." (Luiz Antônio Prósperi, JT)