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O Vaticano defendeu-se
hoje das críticas detonadas pelo anúncio de um encontro, na próxima semana, entre o
papa João Paulo 2º e o líder da direita austríaco Joerg Haider, afirmando que a Igreja
Católica tinha suas portas abertas para todos.
Haider, ainda o principal nome por trás do Partido da Liberdade, de extrema
direita, deve se reunir com o papa no dia 16 de dezembro a fim de presenteá-lo com uma
árvore de Natal trazida da Província austríaca da Caríntia, da qual é governador.
"Não acredito que o povo italiano, que ama a liberdade e foi educado na
tradição da hospitalidade e da abertura, se oporia a isso", afirmou o secretário
de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Sodano. "A Santa Sé está aberta para todos.
Ninguém deve se surpreender com isso", disse.
A árvore deve ficar em um local de honra da praça de São Pedro durante as
festas natalinas.
Haider ficou conhecido em todo o mundo por suas declarações polêmicas
sobre o regime nazista, pelas quais mais tarde ele se desculpou. Quando seu partido
ingressou no governo austríaco, em fevereiro, a União Européia impôs sanções
políticas contra a Áustria. As sanções foram suspensas em setembro.
Israel, no mês passado, afirmou que a reunião entre o papa e o direitista
era "um grande desapontamento". Políticos de esquerda da Itália prometeram
realizar um protesto durante o evento.
Mas Sodano afirmou que não cabia ao Vaticano julgar Haider, que é
católico, mesmo se não concordar com as opiniões dele. (UOL/Reuters) |