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Roma - O escritor Marco
Politi decidiu quebrar o tabu e explorar o homossexualismo entre os membros do clero
católico na Itália.
O livro recentemente publicado, "A Confissão"', apresenta
testemunho de um sacerdote que luta para manter sua homossexualidade com o compromisso com
a Igreja, que considera o homossexualismo pecado.
O padre, que não se identifica em momento algum do livro, descobriu a
existência de um grande número de companheiros de sacerdócio homossexuais na Itália,
que formam um grupo que ele chama de "grupo informal de auto-ajuda", que vive na
clandestinidade da Igreja Católica.
"Sempre existem aqueles que temem ser descobertos pelos superiores e
marcados como membros da corporação como homossexuais. É incrível que haja este
temor", disse o padre por meio do autor do livro, que traz um relato em primeira
pessoa e real.
A publicação do livro acontece justamente em um momento em que o
homossexualismo está sendo amplamente discutido na Itália, graças a comemorações como
a Parada do Orgulho Gay em Roma, que aconteceu em julho, e que foi reprovada pelo papa
João Paulo 2º.
Politi, que é repórter especializado em Vaticano para o jornal semanal
romano "La Repubblica", é co-autor de um outro livro, junto do norte-americano
Carl Bernstein, chamado "Sua Santidade", que traz uma biografia do papa.
A primeira edição de "A Confissão" vendeu 5.000 exemplares em
apenas três semanas.
A crítica italiana elogiou o livro por não invadir a intimidade nem a
conduta de pessoas, mas sim de mostrar a atual situação de alguns membros da Igreja.
O padre Antonio Mazzi, que dirige uma comunidade de reabilitação de
dependentes de drogas, disse recentemente que conhece outros sacerdotes, que são
homossexuais, e que eles "têm uma vida atormentada". "Muitos são jovens.
É um fenômeno que está se estendendo por todos os seminários", disse ao jornal
"Panorama". (Folha Online/AP) |