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O
secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, inaugurou nesta terça-feira, na
Sicília, no sul da Itália, o Museu da Máfia, que será ligado à Universidade de
Palermo.
O museu - ou centro de documentação, como prefere o prefeito da cidade de
Corleone, Pippo Cipriani - vai permitir a policiais, acadêmicos e ao público em geral
estudar melhor a história e o funcionamento do grupo de crime organizado mais famoso do
mundo.
A confederação do comércio da Itália divulgou relatório no mês passado
dizendo que as empresas administradas pela Máfia rendem ao crime organizado faturamento
anual de US$ 133 bilhões, o equivalente a 15% do PNB italiano.
A abertura do museu vai coincidir com uma conferência, na Universidade de
Palermo, que vai reunir representantes de 189 países, inclusive da Interpol e da Europol.
A reunião deve aprovar uma Carta da ONU para o combate do crime organizado.
Câncer da sociedade
O prefeito de Corleone, Pippo Cipriani, disse que
"a característica mais marcante da Máfia, e que a distingue de outras
organizações puramente criminosas é a forma como ela se enraíza na sociedade,
permeando a economia, a comunidade e outras instituições".
"É por essa razão que nós nos referimos à Máfia como um câncer da
sociedade", disse o prefeito.
Brian Fremantle, autor do livro "The Octopus", sobre o crime
organizado na Europa, disse que a Máfia começou como uma liga de defesa dos camponeses
lutando contra a opressão dos donos de terra.
Mas o prefeito Cipriani disse que não era bem assim - os primeiros mafiosos
eram os "gabellotti", intermediários entre os donos de terra e os camponeses,
que recolhiam uma espécie de imposto e controlavam os camponeses.
Durante o século 19, quando a Itália se tornou gradualmente unida e
independente, a Máfia evoluiu para uma organização puramente cirminosa.
Os novos integrantes tinham que fazer um juramento de silêncio chamado de
"omerta" que, se fosse quebrado acarretava em morte certa. Pelo juramento,
nenhum mafioso podia dar informações sobre os amigos e inimigos da Máfia.
Na defensiva
A chamada Cosa Nostra e suas organizações irmãs nos
Estados Unidos estão na defensiva, desde que o Congresso norte-americano aprovou, na
década de 70, legislação específica para combater corrupção e extorsão.
John Gotti acabou condenado depois que um associado, Sammy "Touro"
Gravano, depôs contra ele, ajudando as autoridades.
A Máfia hoje também está sendo pressionada por organizações rivais, como
a máfia russa.
Na Sicília, a Máfia está envolvida em uma guerra com um novo grupo chamado
de La Stidda (a estrela), que inclui motoqueiros violentos e ex-mafiosos. (BBC) |