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CATÂNIA,
Sicília - O tráfico de pessoas, no qual mulheres e crianças são escravizadas e
obrigadas a se prostituir, gera para o crime organizado lucros que perdem apenas para os
do tráfico de drogas, disse um representante da Organização das Nações Unidas (ONU)
na quinta-feira.
Convocando os governos a se unirem para combater o tráfico humano, o
subsecretário-geral da ONU Pino Arlacchi disse num fórum que ocorre na Sicília que suas
vítimas são exploradas repetidas vezes.
"É doloroso constatar que, diferentemente das drogas ilegais, mulheres
e crianças muitas vezes são vendidas e revendidas várias vezes. Os abusos e a dor que
sofrem se multiplicam à medida que as transações se repetem'', disse Arlacchi, que é o
diretor-executivo do Escritório da ONU para o Controle de Drogas e Prevenção da
Criminalidade.
"O tráfico de pessoas é a atividade criminosa transnacional que está
crescendo mais rapidamente. Nunca antes houve tantas oportunidades para organizações
criminosas explorarem o sistema.''
Falando em Catânia, cidade situada ao pé do monte Etna, Arlacchi disse que
os traficantes de pessoas têm lucros de cerca de 7 bilhões de dólares anuais nos
mercados globais, apenas com a prostituição.
De acordo com uma revisão das cifras dos governos e ONGs (organizações
não-governamentais), a cada ano entre 700 mil e 2 milhões de mulheres e crianças são
vítimas do tráfico humano.
A organização sediada em Londres Antiescravidão Internacional estima que
hoje existem no mundo mais de 200 milhões de pessoas escravizadas. Muitas delas foram
tiradas de seus países de origem por traficantes de pessoas. (Philip Pullella, Reuters) |