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O ministro
da Justiça, José Gregori, informou ontem que deve demorar de um a dois meses o parecer
do governo da Itália sobre o pedido de extradição de Salvatore Cacciola, dono do Banco
Marka e acusado por crime contra o sistema financeiro nacional.
Gregori esteve anteontem à noite com o ministro da Justiça
italiano, Piero Fassino. "Antes que vocês (jornalistas) comecem a me descamar como
me descamaram no caso do Nicolau, eu quero dizer que mais cedo ou mais tarde o Cacciola
vai acertar as suas contas com a Justiça", disse o ministro.
Ele se disse magoado com o tratamento que recebeu da imprensa
no caso da prisão de Nicolau dos Santos Neto. Para ele, a imprensa não reconheceu o
mérito da prisão e erra ao insistir em que havia um acordo para que Nicolau se
entregasse sem ser exposto.
Segundo Gregori, Fassino estava bem informado sobre o caso
Cacciola e disposto a buscar uma solução para evitar impunidade.
Há, no entanto, um forte obstáculo para a extradição:
Cacciola também tem a nacionalidade italiana. Por isso, Gregori ouviu do ministro
italiano que a extradição não pode ser automática e tem de ser bem estudada.
Segundo Gregori, "a Itália reconhece que este tipo de
crime financeiro, que tem implicações internacionais, tem de ter um desfecho. Não
existe mais esta coisa de correr para outro país para ficar a salvo. A Itália quer achar
uma saída jurídica para que ele não seja considerado impune. Isto pode se dar pela
extradição ou pelo julgamento dele pela legislação italiana, que neste caso é muito
semelhante à brasileira."
Caso não haja a extradição, o Brasil conta com o
julgamento de Cacciola na Itália e, caso condenado, com o repatriamento de seus bens para
cobrir eventuais prejuízos provocados nas operações financeiras em janeiro de 1999.
Ainda segundo Gregori, Fassino informou que o novo embaixador
da Itália no Brasil, Sandro Petroni, será o canal para a troca de informações entre os
dois países sobre o andamento do caso Cacciola. (Marcelo Beraba, FSP) |