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ROMA
A visita do xenófobo austríaco Joerg Haider ao Vaticano acabou causando
ferimentos leves em pelo menos duas pessoas e cenas de guerrilha urbana em torno da
Basílica de São Pedro no fim da tarde de ontem, quando alguns dos 4 mil manifestantes
anti-Haider se chocaram com a polícia.
A intençao dos ativistas era levar à Praça São Pedro uma faixa com os
dizeres “Nunca mais!” sob uma foto do campo de concentração de
Auschwitz, no momento em que Haider acendia as luzes da contestada
árvore de Natal que sua região a Caríntia, deu de presente ao papa. Mas
a policia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dissolver a passeata.
Outras passeatas marcaram a estada de Haider em Roma, uma delas de
simpatizantes de extrema direita do líder austríaco, também nas proximidades do
Vaticano.
Pela manhã, no breve encontro que teve com o papa Joao Paulo II, Haider
acompanhado pela esposa, as duas filhas e uma delegaçao de 250 pessoas, foi recebido com
certa frieza e não fez nenhum discurso. Recebeu das mãos do papa a mensagem que o
pontífice preparou para o Dia Mundial da Paz, divulgado na quinta-feira passada um
forte apelo em favor da acolhida dos imigrantes e contra a xenofobia. Um convite à
tolerancia entregue ao líder europeu mais nacionalista e contrário à imigração, que
pouco antes de chegar em território italiano criticou a política do país para com os
estrangeiros. João Paulo II concedeu-lhe apenas 3 minutos no encontro privado, apenas o
tempo para as saudações, e assim mesmo o governador da Caríntia estava acompanhado pelo
bispo Egon Kapellari, a quem o papa se dirigiu com mais freqüência. O restante do
encontro com os austríacos, de cerca de meia hora, foi na presença da delegação
completa.
Apenas o papa falou, abordando a importância e a simbologia da árvore de
Natal. Em sua fala, João Paulo II recordou que a doação da árvore fora decidida pelas
autoridades da Caríntia em 1997 (quando o governador não era Haider), ponto que o
Vaticano vem destacando como justificativa para a realização da polêmica visita.
Pouco antes de chegar à Itália, o governador da Carintia havia declarado
que o país é aberto demais aos imigrantes. O presidente italiano, Carlos
Azeglio Ciampi, respondeu afirmando que a Itália defende a acolhida máxima na Europa,
mas aplicando severamente as leis. Palavras de um homem de esquerda,
definiu Haider, desencadeando um incidente diplomatico. Quando soube que os comerciantes
judeus apagariam as luzes de suas lojas por uma hora em sinal de protesto contra sua
visita, comentou com sarcasmo: Muito bem, assim economizam energia. (Assimina
Vlahou, OESP) |