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ROMA - No último dia de sua controvertida visita a Roma, Joerg
Haider, líder da extrema-direita austríaca, voltou a apontar ontem sua
metralhadora giratória na direção do governo italiano. Conhecido por
suas convicções anti-semitas e xenófobas, o governador do estado da
Caríntia - que foi recebido no sábado pelo Papa João Paulo II, sob
protestos da população romana - disse que as autoridades italianas são
fracas e "muito tolerantes com imigrantes indesejáveis".
- Todos têm direito a uma existência digna, mas em seu próprio país -
declarou ele, que ontem pela manhã foi à missa numa igreja freqüentada por fiéis
católicos de origem alemã, perto da Praça de São Pedro. - Cada vez mais gente pensa
como eu. (O presidente italiano) Carlo Azeglio Ciampi teme discutir comigo sobre o assunto
porque é fraco.
O Governo de centro-esquerda da Itália deixou claro seu desagrado com a
visita do político austríaco, que esteve em Roma à frente de uma delegação de 250
pessoas da Caríntia para a inauguração da árvore de Natal do Vaticano, doada pela
província austríaca. Grupos judaicos internacionais criticaram o Papa por recebê-lo.
Mas as idéias xenófobas de Haider podem ter ressonância em Milão, onde
50 mil pessoas participaram ontem de uma manifestação contra a imigração clandestina,
convocada pela Liga Norte, que os grupos de esquerda classificam de racista. O líder da
Liga, Umberto Bossi, pediu a expulsão dos clandestinos.
- É o que prevê a lei - disse ele. (OG) |