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CIDADE DO VATICANO -- Depois de pedir paz no Oriente Médio, em uma missa
de Natal para 50 mil pessoas, na Praça de São Pedro, domingo à noite, o papa João
Paulo II divulgou ao meio-dia desta segunda-feira (9h da manhã, em Brasília) sua
tradicional mensagem Urbe et Orbi - para a cidade e para o mundo --, em que condenou a
violência contra cristãos na Indonésia e advertiu sobre a proliferação de uma
"cultura da morte". "Eu
estou pensando particularmente na Indonésia, onde irmãos e irmãs de fé, mesmo no Dia
do Natal, estão passando por um período trágico de privação e sofrimento", disse
o chefe da igreja católica, referindo-se a uma série de atentados a bomba, em frente e
dentro de igrejas na Indonésia, que causaram a morte de pelo menos 15 pessoas na véspera
do Natal.
Já tendo condenado a violência entre palestinos e israelenses em sua
homilia da Missa do Galo, João Paulo II voltou a tocar no tema ao afirmar que o
derramamento de sangue continua manchando o difícil caminho para a paz.
Debaixo de chuva e numa noite fria, o papa celebrou a Missa do Galo pela
primeira vez ao ar livre, na Praça de São Pedro, onde cerca de 50 mil pessoas ouviram-no
afirmar, em sua homilia, que os problemas na Terra Santa o deixam profundamente preocupado
em relação a todo o Oriente Médio.
"Possa Deus ouvir o nosso apelo", disse o papa. "Aqui desta
praça, o centro do mundo católico, que a proclamação do anjo para os pastores soe mais
uma vez com força: 'Glória ao Senhor nas alturas e paz na terra".
A mensagem do pontífice da igreja católica foi transmitida ao vivo para
mais de 40 países. João Paulo II, que parecia relativamente em boa forma, leu seu
pronunciamento numa voz clara e firme, conduzindo a celebração da missa de Natal de um
altar protegido com vidros, nas laterais, e aquecido para protegê-lo do frio.
Grande parte da homilia foi consagrada à graça e ao nascimento de Jesus,
um "momento que, simbolicamente, representa o mistério da vida humana".
Enquanto a chuva caía, padres circulavam na praça para oferecer a
comunhão aos fiéis, que lotavam o lugar.
Voltando-se para o Oriente Médio, o papa enfatizou que o Natal é o
festival da vida. Mas, ele manifestou preocupação com a espiral da violência entre
palestinos e israelenses, que irrompeu seis meses depois de sua histórica visita de
março passado à Terra Santa.
"Eu penso com preocupação na Terra Santa, e especialmente na cidade
de Belém, onde, infelizmente, devido à conturbada situação política, os evocativos
ritos do Natal não puderam ser celebrados com sua costumeira solenidade", disse
João Paulo II.
"Nesta noite, eu gostaria que as comunidades cristãs nesses lugares
sintam que toda a igreja está muito próxima delas", acrescentou.
"Nós estamos perto de vocês, caros irmãos e irmãs, em uma
oração particularmente intensa", disse ainda o papa. "Compartilhamos de sua
ansiedade pelo destino de toda a região do Oriente Médio".
Mas, apesar das dificuldades, a confiança dos cristãos na paz no Oriente
Médio e no resto do mundo não pode ser abalada, afirmou o pontífice.
"Hoje nasceu Aquele que traz a paz para o mundo", completou.
No próximo dia 6 de janeiro, Dia de Reis, o papa encerrará formalmente o
Jubileu 2000, o qual havia inaugurado no Natal de 1999. (CNN) |