Araujo Netto ROMA. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Renato Ruggiero,
tranqüilizou parentes e amigos da tropa italiana (2.780 militares) que está viajando ou
deve ainda partir a fim de participar da guerra contra o terrorismo. Depois de prevenir
que a luta será muito longa e que a situação no Afeganistão continua muito difícil, o
ministro Ruggiero, diplomata de carreira e ex-expoente do antigo Partido Socialista,
afirmou:
Por enquanto, parece iminente e indiscutível apenas o desembarque na
capital afegã de funcionários italianos encarregados de reabrir e garantir o
funcionamento da embaixada.
Sobre o envio das tropas e a sua entrada em ação, pouco faltou para que
Ruggiero afirmasse que se fará só quando a guerra for ganha ou estiver terminada.
Seria muito grave se mandássemos nossos soldados ao Afeganistão numa
situação em que não existem garantias, para fazer uma operação que superaria aquela
de restabelecer a órdem pública, podendo apresentar elementos de alta periculosidade
- ponderou Ruggiero. O mesmo ministro que, duas semanas atrás, entrou em rota de
colisão com o seu colega Antonio Martino, da Defesa, pela entusiástica recomendação
que fazia da imediata participação do contingente militar da Itália nos combates contra
os talibãs.
Redescobrindo-se um cauteloso adversário das situações confusas, inseguras
e perigosas que normalmente as guerras provocam, o ministro Ruggiero sensibilizou não só
os corações das aflitas mães, avós, noivas e mulheres dos 1.480 marinheiros que
estarão chegando no dia 4 ao Golfo Pérsico, dos mil infantes e aviadores à espera da
ordem de embarcar para Cabul, mas tranquilizou também tantas outras famílias que tomaram
conhecimento das intenções do presidente George W. Bush de acertar definitivamente as
contas que seu pai não liquidara com o Iraque de Saddam Hussein. Ele disse que a Itália
não vê com entusiasmo a expansão da guerra a outros países. (© O Globo) |