A Itália enfrenta uma crise com a União
Européia por rejeitar assinar uma lei de prisão que valeria para todos os parceiros. Os
14 parceiros da Itália na UE assinaram uma proposta de lei que cobre 32 crimes, de
terrorismo a corrupção, mas Roma pressiona por medidas mais restritas, que não incluam
fraude ou suborno. As negociações sobre o assunto fracassaram hoje. Diplomatas especulam
que os países da UE podem impulsionar a lei e deixar a Itália e seu primeiro-ministro,
Silvio Berlusconi, na geladeira.
"Berlusconi está iniciando uma grande crise entre ele e a Europa sem
perceber", disse um diplomata, que se recusou a ser identificado. "Estamos indo
para uma demonstração de força". Berlusconi sofre críticas fora e dentro do
país, onde é acusado de tentar se proteger de uma possível ação legal futura.
"Esta é a mais recente humilhação que Berlusconi faz nosso país
sofrer", disse Antonio di Pietro, renomado jurista e político italiano. "Para
salvar a própria pele, Berlusocni está tirando a Itália da Europa", agregou.
Hoje, a Itália propôs aceitar 16 crimes a partir de janeiro de 2004 e
todos os 32 crimes no final de 2007. Mas o restante da Europa recusou a proposta. O atual
presidente da UE, o primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, disse que irá a Roma no
próximo mês para debater o tema com Berlusconi. A Itália argumenta que há
discrepâncias legais entre os países da Europa.
Críticos dizem que a explicação é uma cortina de fumaça para esconder
Berlusconi de juízes de fora que desejam extraditá-lo sob acusações de corrupção em
seu império de mídia. Berlusconi está envolvido numa série de investigações e
enfrenta três julgamentos na Itália. A Alemanha disse que a recusa italiana é uma
"vergonha". Portugal afirmou que o assunto é "extremamente sério", e
a Grã-Bretanha disse ser "incompreensível".
"O primeiro-ministro está fazendo muitas exigências e as expressa
de maneira estranha para um país que desde o início viu-se como o centro da integração
européia", disse Bernard Valero, ministro do Exterior da França. "Só podemos
esperar que ele se una a esta ambição". (©
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