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Fiat anuncia reestruturação e 6 mil demissões

12/12/2001

 


MILÃO, SÃO PAULO e BETIM (MG). A Fiat anunciou, em Turim, um aumento de capital de US$ 1 bilhão e uma reestruturação substancial do grupo, incluindo seis mil demissões em suas unidades fora da Itália, entre 2002 e 2004. A companhia fechará ou reestruturará 18 fábricas, sendo duas na Itália e 16 no exterior.

   A reorganização provocará custos extraordinários de US$ 712,415 milhões este ano. A empresa também informou que pretende vender ativos no valor de US$ 1,78 bilhão em 2002. A Fiat prevê que o lucro operacional do grupo fique em US$ 267 milhões em 2001.

   A Fiat do Brasil aguarda instruções da matriz sobre as demissões anunciadas. A Fiat brasileira também não tem a confirmação do fechamento da fábrica da Iveco na Argentina e sua possível transferência para o Brasil.

“Seria mais fácil se a Argentina quebrasse de vez”

   O superintendente da Fiat América Latina, Gianni Coda, defendeu ontem a desvalorização do peso argentino diante do dólar. Segundo ele, é a única forma de cumprir o acordo da empresa de exportação e importação no Mercosul.

   — Seria mais fácil se a Argentina quebrasse de vez, começasse do zero. O país chegou a um limite que não é possível suportar — lamentou.

   A solução desesperada tem razão de ser: em 2000, a unidade da Fiat em Córdoba, que produz apenas o Siena, acumulou prejuízo de US$ 50 milhões. Este ano, o prejuízo ficará entre US$ 40 milhões e US$ 45 milhões.

   — Como todas as concorrentes, estamos passando por um momento muito difícil, que ainda deve durar dois ou três anos. Esperamos perder o mínimo possível — afirmou.

   Para isso, a Fiat fechou um acordo com os funcionários, em férias coletivas desde setembro, e vai reduzir de 70% para 55% o percentual dos salários pagos em dezembro para quem está sem trabalhar.

   Para 2002, a perspectiva é de crescimento, mas nada muito animador. De 1.800 unidades produzidas este ano, o acréscimo será de apenas 50 mil no ano que vem. A capacidade instalada é de três mil unidades/ano.

   No Brasil, a montadora deverá praticamente repetir o desempenho registrado em 2000. A expectativa de Gianni Coda é de que a Fiat resista bem a percalços como a crise argentina, a desvalorização do real e a apreensão internacional causada pelos ataques terroristas nos Estados Unidos.

   Coda prevê que a montadora de Betim (MG) repita o lucro líquido de R$ 233 milhões de 2000, quando o faturamento beirou os R$ 7 bilhões, mantendo o posto de primeira do país em volume de vendas. Até novembro deste ano, as vendas da Fiat representavam 27,3% das unidades comercializadas em todo o país desde outubro de 2000. Diante desse desempenho considerado satisfatório, a montadora garante que não haverá novo aumento este ano. (© O Globo)
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