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Estudo diz que Nero não incendiou Roma

12/12/2001

 


Nero (37-68 d.C.) foi um imperador cruel e desumano, mas não incendiou Roma, o mais certo é que foram sabotadores cristãos e judeus que incendiaram a "Cidade Eterna". O fogo, que arrasou a maior parte da urbe romana, no ano de 64 d.c., foi tradicionalmente atribuído à cólera de Nero e seu desejo de aniquilar os seus detratores.

   Mas, segundo uma nova investigação que o Canal 4 da televisão britânica divulga hoje, a culpa recaiu sobre o infame imperador como fruto da propaganda de escritores pró-cristãos e judeus. O autor do estudo, Gerhard Baudy, professor de História na Universidade de Konstanz na Alemanha, sustenta que as chamas foram parte de uma revolta dos que sonhavam com a queda do Império.

   Naqueles dias de desvairio, explica Baudy, panfletos que prediziam o iminente final do mundo e a vinda do Messias salvador caíram nas mãos de cristãos e judeus de Roma, que interpretaram a mensagem como um convite à insurreição. "É muito improvável que este incêndio tenha sido um acidente. As expectativas que despertava a profecia eram tão grandes entre as pessoas que teve de ser um ato deliberado", diz o professor. "Os cristãos odiavam Roma e acreditavam que na profecia em que Jesus Cristo previa que o mal seria derrotado com um grande fogo ou o cataclismo".

   A teoria de Gerhard Baudy contrasta com a de outros especialistas que não concordam com a origem do fogo. Alguns defendem que o incêndio aconteceu em conseqüência das altas temperaturas estivais e os fortes ventos, enquanto que outros vêm em Nero a um pirômaníaco que, graças às chamas, queria reconstruir a cidade a seu gosto.

   A lenda só conta que Nero - déspota, colérico e vaidosamente caprichoso; mas também protetor de Séneca, amante da gramática e da retórica e impulsor de uma louvável reforma fiscal- tocava a harpa enquanto ardia a cidade de Roma. Sucessor de Claudio e responsável pelo Governo do Império desde o ano 54 ao 68, Nero cometeu excessos: esbanjou sem limite o dinheiro público, organizou orgias extravagantes e, inclusive, obrigou os romanos a escutar seus recitais de poemas, entre outras frivolidades.

   Suas maldades escandalizaram patrícios e plebeus e aturdiram os ouvidos da aristocracia militar, partidária dos ideais puritanos da República, que seus antepassados haviam governado antes do advento dos Césares. Mas, o escuro futuro de Nero já se vislumbrou no incêndio que durante nove dias semeou Roma de fumaça e cinza, de caos e desespero.

   Arrastado por seu paroxismo, o imperador, como argumenta o estudo do professor Gerhard Baudy, acusou os cristãos da catástrofe e ordenou a execução de 200 a 300 cristãos dos 3 mil que habitavam em Roma. Segundo as crônicas do historiador latino Tácito, fiéis de Cristo, foram amarrados, cobertos de alcatrão e usados como tochas humanas para iluminar as insônias de Nero nos passeios noturnos nos jardins da sua residência privada, a Domus Aurea.

   Estes e outros impropérios do cruel governante provocaram levantamentos nos domínios do Império e a sublevação do Exército, com os generais Galba em Hispania e Vindex na Galia. Declarado inimigo público, Nero, que se chamava realmente Lúcio Domizio Enobardo, acabou se suicidando no ano 68 d.C. após cantar seu célebre lamento: "Que artista perde o mundo com minha morte...!". (© Terra Mundo)

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