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Brasil revê história em arquivos europeus

 

 

Até 2001, o Brasil vai receber a maior coleção de documentos dos séculos 16 e 19 que estão guardados em Portugal, Holanda, Espanha, Itália e França.

O responsável pelo feito é o Projeto Resgate Barão de Rio Branco, desenvolvido pelo Ministério da Cultura e instituições públicas e privadas e que faz parte das homenagens aos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

Segundo Esther Caldas Bertoletti, coordenadora técnica do projeto, os documentos coloniais são essenciais para o entendimento do passado brasileiro. Ao mesmo tempo, originam até situações práticas para a solução de problemas contemporâneos, como a demarcação das terras indígenas.

"Os registros revelam a vida e os costumes coloniais e estão contidos em uma infinidade de documentos escritos e ilustrações, como plantas e mapas."

A iniciativa, orçada em mais de US$ 3 milhões, prevê a edição de CDs com as imagens dos manuscritos originais, que foram microfilmados, e um catálogo, trazendo o resumo de cada documento pesquisado.

Esse material será distribuído a instituições culturais e históricas públicas e privadas, universidades e centros de pesquisas.

E a documentação geral já está disponível nos arquivos do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, também no Rio, e no espaço cultural Sérgio Motta, em Brasília.

De acordo com Esther Caldas, a maioria dos manuscritos do período colonial está espalhada pela Europa. Cerca de 80% encontra-se em Portugal, no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa, onde os levantamentos estão quase terminados. Em outros países, estão sendo elaborados guias de arquivos que contêm documentos sobre esse período.

Para o ministro da Cultura, Francisco Weffort, o projeto é extremamente importante.

"Vamos ter o retrato de toda nossa história, do século 16 ao início do século 19. A democratização do acesso aos documentos com certeza vai alterar a compreensão da história. Já estamos colocando as informações ao alcance de todos."

Nicolau Sevcenko, professor de história da cultura da Universidade de São Paulo, considera o resgate dos documentos uma iniciativa oportuna.
"Permitirá o enriquecimento da nossa história, abrindo campos de estudos para os historiadores das mais diversas áreas, como economia e ciências sociais."

Em 1986/87, em Londres, Sevcenko participou de um projeto similar no Foreign Office (Ministério das Relações Exteriores britânico) que microfilmou registros dos séculos 19 e 20.

O projeto não teve continuidade pela mudança de governo na época, mas as cópias encontram-se na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

No dia 25, na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), serão entregues CDs, microfilmes e catálogos dos documentos da capitania de São Paulo. O evento vai até o dia 27, com encontros entre historiadores brasileiros e portugueses.(Folha Online)

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