Apesar de a medida ter sido suspensa neste fim de
semana depois de uma pequena melhora em virtude das chuvas, o dia de ontem com o tráfego
normalizado voltou a situar os níveis de poluição nos limites. Diante da situação, as
autoridades decidiram iniciar um plano de emergência que combata as causas diretas da
poluição com medidas radicais, como a de obrigar os cidadãos a comprar no futuro carros
ecológicos, iniciativa do presidente regional, Roberto Formigoni.
Em declarações ao jornal Corriere della Sera, Formigoni pede ao dono da
Fiat, Giovanni Agnelli, que reoriente a produção de veículos numa direção
decididamente ecológica. Enquanto esta complexa proposta se concretiza e é submetida ao
debate público, diversas comissões de especialistas trabalham em outras frentes para
lutar contra a poluição, desde a reestruturação do parque de veículos públicos até
a regulamentação do uso das calefações privadas.
Mas o alarme desatado pela poluição excessiva não é exclusiva de
Milão, a capital industrial da Itália, mas se estende a todo o Norte do país, como
demonstra o bloqueio total da circulação realizado hoje em numerosas cidades. Os carros
não circularam neste domingo pelas ruas de Bolonha e Bérgamo e o fizeram de forma muito
restrita pelas de Parma, Modena, Ferrara, Rimini ou Ravena para tentar recuperar a
qualidade do ar respirado por seus cidadãos.
A seca na zona norte da Itália, há dois meses sem chuvas, que reduziu a
límites mínimos históricos o leito do rio Po, contribuiu de forma decisiva para agravar
o problema.